ESPAÇO ABERTO - O efeito Robin Hood
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 11 de outubro de 2004
Jonathan Menezes 
O período eleitoral é mesmo um tempo de raridades. Não bastasse as ''pérolas preciosas'' com as quais o eleitor é obrigado a conviver em tempos como este, contidas nas propostas de muitos dos postulantes aos cargos eletivos de nosso folclórico país, protagonistas deste verdadeiro ''show de horrores'' que se tornou a propaganda eleitoral, ainda me vejo perplexo ao contemplar a ignorância pueril, e às vezes malévola, de pessoas que se contentam com a ética dos resultados, do político que ''rouba mas faz'', figura bastante comum no cenário político brasileiro.
A última ''pérola'' que ouvi, da parte de alguns eleitores que se lançaram cegamente em defesa do ex-prefeito cassado de Londrina, dizia o seguinte: ''Olha, ele (o ex-prefeito) não deixa de ser uma boa pessoa, pois roubou dos ricos para dar aos pobres''. Afinal, não seria esta uma boa causa? Quer dizer, os atos de furto aos cofres públicos, estelionato, improbidade administrativa, formação de quadrilha, lavagem de dinheiro e corrupção possuem uma certa ''justificativa'', posto que foram feitos pelo ''bem'' dos pobres e necessitados, e contra isso nem a lei poderia se opor. Até quando continuaremos preferindo o silêncio diante destas ''insanidades'' coletivas? O silêncio talvez seja mais insano que a própria insanidade.
Tais palavras me levaram a associar este inventário popular àquela conhecida lenda, que virou produção cinematográfica, do herói da floresta de Sheerwood, Robin Hood, que roubava dos ricos e abastados barões de sua época para dar aos pobres. E para quem pensa que a ficção imita a vida, eis uma evidência de que a recíproca não é menos verdadeira. Contudo, a lógica que rege as relações dos bastidores da política é muito mais nefasta e fraudulenta do que parece ser, e nada tem de fictícia. Basta que olhemos para o noticiário televisivo e impresso de 4 anos atrás, veiculado pela mídia local e nacional, tratando sobre a extorsão de cerca de 200 milhões das contas municipais, fato que expôs ao ridículo a cidade de Londrina para todo o Brasil, como uma ''vitrine da corrupção''.
E a pergunta que até hoje não quer calar continua sendo: para onde foi todo este dinheiro? Com certeza não foi para as mãos da população, seja de ricos ou pobres, pois, no fim das contas, todos saíram lesados, tanto estes como aqueles, cidadãos que pagam seus impostos. Somadas as penas previstas para o ex-prefeito pelos delitos cometidos, daria pelo menos 30 anos de prisão. E onde se encontra o ''ilustre'' neste momento? Ora, onde mais, concorrendo ao 2º turno das eleições municipais para prefeito, por ''decisão do povo'', como ele mesmo costuma repetir. Nestes momentos é que máxima do ''profeta'', o jornalista Boris Casoy, soa como uma sirene-alerta aos nossos ouvidos cansados: ''Isto é uma vergonha!''
JONATHAN MENEZES é estudante de Teologia na Faculdade Teológica Sul-Americana em Londrina


