ESPAÇO ABERTO - O ditado do rouba mas faz
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 26 de outubro de 2004
Sérvio Borges da Silva 
Quem não se lembra desse ditado, cunhado por Adhemar de Barros em São Paulo e depois utilizado, fartamente, por Paulo Maluf para tentar ganhar todas as eleições das quais participaram, este último agora sendo denunciado e indiciado.
Pessoas perguntam nas ruas de Londrina: por que alguns políticos corruptos desviam tanto dinheiro dos cofres públicos municipais no Brasil? Por que não se tomam providências definitivas contra esse holocausto moral imposto? De que material são feitos os que corrompem? Por que tanta insensibilidade contra os pobres, mulheres grávidas, crianças abandonadas por causa do dinheiro que foi desviado e que era para essa gente?
Será que o provérbio, nascido na noite escura da paulicéia desvairada do ''rouba mas faz'', está se espalhando em nosso meio? Até que ponto continuam válidos os princípios básicos da moralidade cristã? Devemos insistir em nossos ideais ou valerá o ''faz de contas''? Faz de contas que os políticos trabalham não estão em cima do muro e procuram melhorar o Brasil.
Acompanhamos atônitos, os acontecimentos do Brasil: narcotráfico, guerra civil no Rio de Janeiro, onde algumas autoridades e parte da elite corrupta deste País são desmascaradas como simples marginais que são.
Vivemos um verdadeiro transe político motivado por denúncias inúmeras de desvio de dinheiro público, o que muitas pessoas insistem em esquecer. Por quê? Londrina merece esquecer tanta desordem, tanta roubalheira, tanto saque dos cofres públicos. Quem são os culpados?
Os grandes larápios dos bens públicos que saquearam o tesouro da cidade processam jornalistas, advogados e todas as pessoas que procuram defender o patrimônio público. Esses facínoras tentam amedrontar os homens de bem da sociedade com processos e com tentativa de aplicação da própria lei, para evitar as investigações que acontecem em grande quantidade.
Aqueles que se locupletaram com o dinheiro público para financiar as caras campanhas políticas ou que transformaram em dólares esse dinheiro roubado e o depositaram em bancos no exterior são os ladrões mais perigosos deste país. Eles roubam toda a comunidade, impedem o progresso e solapam as esperanças de desenvolvimento de todos.
O ladrão particular faz uma vítima, enquanto que o ladrão público está fazendo milhares de vítimas indefesas, pois ocupou um cargo público como guardião do tesouro com toda a confiança da população que o indicou. Os assaltantes dos cofres públicos não podem permanecer no meio social, embora tenham endereço fixo e até local de trabalho, e os juízes sabem onde eles se encontram. Eles constituem uma enorme ameaça à sociedade porque mantêm o dinheiro que roubaram escondido. Sua nefasta e pervertida atuação causou dano moral incomparável e irreparável, o que poderá repetir-se a cada eleição já que continuam soltos e à espreita, como feras vorazes para atacar a sua presa: a população desprotegida.
SÉRVIO BORGES DA SILVA é advogado em Londrina


