Alimento, qualquer que seja, provém da terra ou da água, que nada mais é que a formação do planeta Terra. Determinar 16 de outubro como o Dia Internacional da Alimentação, sob a coordenação da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO), remete para a necessidade de se refletir sobre o tema que, ainda, marca a importância da alimentação para os seres humanos. Parece ilógico, não fossem tantas pessoas passando fome no mundo todo.
Passada a chamada Revolução Verde nos anos 70 e 80, temos agora os transgênicos que consistem num assunto controverso e que envolve pesquisas tão complexas e tendências ideológicas. Paralelo a isso, temos um grande programa que visa acabar ou reduzir com a fome em nosso País. Trata-se do Fome Zero. Produtores e produtoras rurais da nossa região não se conformam com a realidade de que faltam alimentos em milhões de mesas brasileiras e outros milhões em todo o mundo.
Segundo o americano Phillip Harten, de cada cem pessoas, 13 passam fome em todo o mundo. Esta é uma questão complexa e incômoda já que o alimento existe. No entanto, o problema está na má distribuição e o desperdício. Deve ser levado em consideração, ainda, que determina comer ou não comer é o poder econômico.
Quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva levanta a bandeira do Fome Zero, muitos dizem que nunca o País vai acabar com a fome, que se trata de uma ilusão. Porém é necessário externar a importância da iniciativa no combate à miséria. A ferida existe e se não houver preocupação e ação para cicatrizá-la a tendência é só piorar.
O Fome Zero, caso não resolva totalmente o problema da fome, certamente já está contribuindo muito para que essa ferida seja reduzida. Está criado, portanto, um grande movimento no qual devem interagir todos os setores da sociedade. Tudo isso não só para distribuir melhor os alimentos, mas também para dar cidadania e garantir os direitos básicos do ser humano. É sempre a mesma história: não é somente dar o peixe, mas também ensinar a pescar. E isso o Fome Zero realiza, por meio dos cursos de capacitação que buscam alternativas de emprego e geração de renda.
A fome no Brasil e no mundo não é uma questão exclusiva dos governantes que devem sim buscar solução. É um desafio de toda a sociedade e, por isso, a importância do dia 16 de outubro para refletir e, principalmente, para agir. Quem tem o privilégio de poder comer não pode deixar que o problema se arraste. Parafraseando o slogan federal, o Brasil que come deve ajudar o Brasil que passa fome. o Dia Internacional da Alimentação deve ser lembrado como um dia de festa mas ações concretas que percorram todos os dias do ano.
NILSON ROBERTO LADEIA CARVALHO é engenheiro agrônomo e secretário de Agricultura e Abastecimento de Londrina

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