ESPAÇO ABERTO - O dinheiro que traz felicidade
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 23 de junho de 2004
Walmor Macarini 
Se afirmamos que o dinheiro não traz felicidade, é bastante provável que ele não trará; mas se imaginamos que qualquer bem que temos, dinheiro incluído, nos fará felizes, isso tenderá mais facilmente a acontecer. Dinheiro é bom ou mau segundo o conceito que lhe atribuímos. Muitas pessoas quase a maioria costuma declarar que dinheiro é causa de desgraças e então acabam semeando essa corrente e podem realmente atrair infortúnios. Bom é ter consciência de que a causa não é o dinheiro mas a pessoa. Mas se o pensamento se voltar para o fato de que dinheiro traz sobretudo progresso e bem-estar, favorecerá a que essas coisas boas ocorram.
A casa onde moramos, o automóvel, nossos sapatos e roupas, são coisas tão materiais quanto o dinheiro e, no entanto, nos as louvamos pelo conforto que nos proporcionam. Por que, então, temos tanto que falar mal do dinheiro se vivemos correndo atrás dele e ele pode nos trazer felicidade!? Há que abençoar o dinheiro, como temos de abençoar todas as coisas que nos são úteis. Diferente de escravizar-se a isso. Dinheiro traz felicidade ou traz dissabores, dependendo de como o classificamos. O que não se pode é amaldiçoá-lo por palavras e sentimentos, porque o que se sente e se diz tem força criadora, capaz de edificar ou de destruir.
Por que é que certos grupos étnicos têm mais facilidade de enriquecer de que outros? Por tradição de querer a riqueza e fazê-la bem-vinda. Se tais grupos são felizes ou não, pela riqueza que amealham, é outra história, e aí volta-se à questão do conceito sobre o valor do que se tem. Mas é certo que o dinheiro chega onde é permitido e bem recebido. As pessoas, no mais dos casos, só sabem pedir o dinheiro e clamar por ele, quando deveriam saudá-lo e permiti-lo. Dizem que o desejam mas que é difícil de ganhar, e aí acontece exatamente isso: fica difícil.
Se chutamos o cachorro, ele se afasta e se lembrará sempre da agressão; se o acariciamos, ele se aproxima e fica amigo. Assim com o dinheiro. É preciso não dizer nada de negativo com respeito a ele. Quem o aprecia costuma acariciá-lo, endireitando-lhe as orelhinhas e guardando-o em ordem na carteira. Geralmente tem em mente que dinheiro traz riqueza e semeia riqueza ao invés de atribulações e tragédias. Os que vivem pelos cantos falando em crise, só encontrarão crise. É até bom afastar-se desses lamurientos, porque eles contaminam a atmosfera ao redor e atraem tudo de ruim que viceja em sua mente. São pessoas que vivem culpando os outros pelos próprios insucessos.
Não há que apegar-se ao dinheiro a ponto de ser mesquinho e até de matar ou morrer por ele, mas reverenciá-lo da mesma forma que se reverencia a vida, os bens que se tem, os amigos. Há que encarar o dinheiro como algo que podemos ter, que permitimos ter, sem dar-lhe importância nem maior e nem menor que as outras coisas. Foi a sabedoria divina que o iventou, para que fosse instrumento de troca e nos facilitasse a vida. Se o encaramos sob esse prisma, veremos que o dinheiro só trará felicidade.
WALMOR MACARINI é jornalista em Londrina


