Em cada mandato das prefeituras acontecem as reformas administrativas que, em geral, nada mais são do que os "troca-troca" desnecessários envolvendo as secretarias, suas competências, seus nomes e seus secretários. As justificativas são sempre as mesmas, agilização e modernização. Muitas vezes são puras manifestações de vaidades, pois, eficientes ou não, deixam as marcas de "mudanças" nas administrações públicas.
Paralelo a isso, seguem e se avolumam as grandes demandas que envolvem o crescimento das cidades. Seria mais racional dispender energia e tempo, planejando ações estratégicas de trabalho, incentivando as estruturas existentes, para depois serem tomadas decisões sábias e corajosas que realmente beneficiam a vida de um município e de seus habitantes.
No início da década de 1990 as questões ambientais em Londrina já eram preocupantes e eram competências de um pequeno setor da Secretaria Municipal de Agricultura. Já naquela época, sentia-se a necessidade urgente da existência de um órgão ambiental para o município, na época com aproximadamente 380 mil habitantes. Em 1994, em consequência das grandes demandas ambientais, depois de muitas discussões e empenho da população, foi criada a Autarquia Municipal do Ambiente (AMA). Um avanço na administração da época, pois além da instituição de um órgão específico, tinha mais independência administrativa e financeira. Em 2002 foi transformada em Secretaria do Meio Ambiente (Sema), com sérios prejuízos operacionais. Hoje, 20 anos depois, o município com quase 550 mil habitantes, estamos coroando o destrato ao órgão ambiental municipal e, consequentemente, ao meio ambiente, com a sua extinção. No mínimo, retrocederemos 20 anos.
Onde está o tão propalado salto ao futuro? Deveríamos cada vez mais conviver numa época em que os preceitos ambientais, condições básicas no equilíbrio da relação humana com a natureza e o consequente trato respeitoso aos órgãos ambientais, estivessem na esfera do aprimoramento e não na do descaso ou da insignificância. É no tratamento das questões ambientais e no respeito aos órgãos envolvidos que se conhece a boa intenção dos governantes.
O meio ambiente envolve direta ou indiretamente todas as ações no governo de uma localidade. O sucateamento das estruturas já precárias provoca a solução imediatista ou a negligência completa aos problemas ambientais, que só serão percebidos anos mais tarde, quando a maioria da população já nem se lembrará dos responsáveis e tudo passará como fossem problemas normais e complexos. Portanto, a extinção de um órgão ambiental, acima de qualquer justificativa, demonstra o desprezo às leis e às políticas ambientais e aos munícipes.
Provavelmente, o Executivo justifica a melhoria da área ambiental com a criação de uma nova e grande secretaria. Em geral, esse é o pensamento linear, associado à agilidade e à economia de alguns cargos comissionados. O que falta, não são as "tradicionais" e autoritárias reformas administrativas, mas sim as decisões corajosas e escoradas em órgãos ambientais fortalecidos que ataquem os problemas de frente.
É preciso deixar de lado a velha tática simplista, aparente e retrógrada para solução de problemas, com a extinção de órgãos fundamentais na vida do nosso município, como a Sema. Para o monitoramento, gerenciamento e planejamento ambiental, o município necessita cada vez mais espaços de poder e no topo da administração pública, e não espaços que mais tarde se tornam apêndices de secretarias. O exemplo já foi dado há mais de 20 anos e parece não assimilado.

AIRTON NOZAWA é engenheiro e professor da Universidade Estadual de Londrina

■ Os ar­ti­gos de­vem con­ter da­dos do au­tor e ter no má­xi­mo 3.800 ca­rac­te­res e no mí­ni­mo 1.500 ca­rac­te­res.
Os ar­ti­gos pu­bli­ca­dos não re­fle­tem ne­ces­sa­ria­men­te a opi­nião do jor­nal. E-­mail: opi­niao@fo­lha­de­lon­dri­na.com.br

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