ESPAÇO ABERTO - 'O despertar da consciência'
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 17 de março de 2004
Walmor Macarini 
Sob o título acima, a leitora Andréa Bernabél Furlan, de Assaí, envia-me o texto que se segue e para o qual entrego hoje este espaço. Relaciona-se com o que escrevi quinta-feira passada e utiliza-se de semelhantes imagens.
''Ela viveu por muito tempo, tempo de que também perdeu a conta, adormecida e embriagada pelos seus caprichos e pela alegria do que era capaz de fazer e causar. Brincava com as luzes que a ilusão era capaz de lhe despertar.
Encantou-se com tudo que encontrou pelo caminho, cheirou cada flor, experimentou, tocou, sentiu, olhou e com isto parou sempre, pois não sabia para onde caminhava e, portanto, não tinha pressa, guiada apenas pelo prazer dos momentos vividos.
Aí, um dia, quando sentiu o cheiro das ervas, sentiu saudades, apenas respirou mais fundo e continuou seu caminho errante. Depois aproximou-se do mar e sentiu a pele arrepiar e parou pela primeira vez para olhar, sentir e pensar. Sentiu então outras sensações, novas percepções lhe afloraram e ela lembrou-se que estava só. Então, pela primeira vez em toda sua jornada, pensou no Cavaleiro que sempre embalou seu coração e que a esperava mais à frente e que um dia partira.
Olhou para si e viu sua porção bruxa e sua porção fada. Era chegada a hora de fazer sua escolha. Sabia que o Cavaleiro a estava aguardando em algum lugar, por certo muitos passos à sua frente. Pensou que talvez não mais o reconhecesse, pois sua roupagem estaria diferente, e temeu que ele também não a pudesse reconhecer. Sua única certeza era a luz do coração, onde brilhava a esperança que somente o despertar de ambos, no mesmo momento, faria possível o reconhecimento.
Talvez tenha sido este o momento da visita à morada de origem, no parque das planícies douradas. Não importa qual foi o momento; o que importa é que despertou e que agora sabe para aonde vai e o que precisa fazer. Tudo é questão de tempo e o tempo é relativo para aqueles que são eternos.
Ela sabe que o Cavaleiro está por perto, pois nunca deixou de estar presente em seu ser. Sente sua energia, às vezes sonha com ele e acorda feliz, pois sabe que ele também pensa nela.
O encontro agora é apenas questão de tempo... mas o tempo já não conta, pois para aqueles que sempre estiveram juntos, que são um só, nunca houve separação, apenas momentos diversos, fruto do livre arbítrio, no eterno caminho do aprimoramento.
Ela acha que o Cavaleiro, quando a reencontrar, terá nos lábios um sorriso de satisfação, pois quando galgar com ela as pradarias e os campos, sentirá a nova mulher que ela se tornou; se sentirá feliz com a nova roupagem que ela mesma fez, adornada de estrelas, adquiridas nas suas vivências e sentimentos, e poderão eles olhar o nascer do sol, sem pressa, em silêncio. Dormir ao pé de cachoeiras e, juntos, ouvir a beleza da música das águas. Por certo, ela ainda não resistirá brincar e molhar os pés, mas o Cavaleiro reconhecerá seus encantos de menina que nunca ela deixará de ser, mas terá em seu coração a certeza da mulher desperta que se tornou''.
WALMOR MACARINI é jornalista em Londrina


