ESPAÇO ABERTO - O céu pede nossas graças
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 15 de janeiro de 2004
Walmor Macarini 
É preciso que haja um equilíbrio entre as bênçãos que recebemos do universo exterior e aquelas que devemos devolver na contrapartida. Se só buscamos receber, ficamos devedores e aprisionados a essa condição e assim vamos atrasando nossa ascensão. A cada fluxo de graças que nos chega deve haver uma correspondente retribuição, acrescida de um pouco mais, para que tenhamos saldo credor. Isto significa que precisamos nos doar na medida em que pedimos e somos agraciados. A doação se faz pelo envio de emanações de pensamentos e sentimentos construtivos e pela prática de palavras e ações de qualidade. Nossa relação com o Universo, do qual não estamos isolados porque o compomos é de reciprocidade.
Viver em estado de súplica e só receber gera um constante débito, que aumenta na medida em que nos apresentamos, sempre, de mãos vazias, sem a equivalente retribuição. O Universo não se rege por emoções mas por um princípio inteligente e harmônico, a que temos dado o nome de ''lei de Deus''. Não seremos punidos se nossa bagagem contiver pouco, mas iremos ficando por aqui, no contínuo processo das transmigrações, que é a roda da repetência de vidas terrenas. Temos um tempo de duração na Terra, porque ''civilizações'' novas já estão chegando e temos que dar-lhes lugar, e então subimos, ou descemos para plano igual ou inferior a este em que vivemos.
Ódio, maledicência, sentimento destrutivo, as maldades nossas de cada dia, o retardamento de boas práticas que podemos executar agora mas vamos adiando, esvaziam nossas reservas de irradiação e tornarão difícil ou impossível nossa subida até as ''moradas mais altas''. Receber as graças divinas e conceder graças de retorno, este o procedimento. (Leia-se a parábola dos talentos).
Os céus também esperam por nossas graças e anseiam que as enviemos, ou pouco poderão fazer por nós se chegarmos sem (no mínimo) o dobro dos talentos. A quem mais tem, mais se dará está escrito. Não podemos ficar na constante condição de mendicantes das benesses divinas, porque também nós temos que irradiá-las em contrapartida.
Não temos que saber o quanto Deus pode nos ajudar mas o quanto podemos ajudar Deus. E essa nossa ajuda quer dizer emanarmos irradiações construtivas, que nos tornem luminosos, leves e sutis para adentrar o lugar que imaginamos o céu. Não será pelo simples processo da morte física que iremos encontrar esse céu que certamente não é um lugar mas um estado de consciência e sim se nos preparamos para essa ascensão, o que significa a eliminação dos apegos doentios, a prática das ações de perdão enquanto ainda há tempo, a elevação da consciência para pensamentos qualificados, as boas palavras, os bons atos, que nada mais são do que o tão falado exercício do amor incondicional.
WALMOR MACARINI é jornalista.


