ESPAÇO ABERTO - O anti-semitismo está de volta
PUBLICAÇÃO
domingo, 30 de janeiro de 2005
Abraham Shapiro 
No dia 27 de janeiro de 1945 o Exército Vermelho russo, avançando pela Polônia, chegou a um portão em cima do qual estava escrito: ''O trabalho liberta''. Encontrou 7.500 indivíduos que mal conseguiam se movimentar. Tinham sido abandonados pela tropa nazista que se retirara às pressas. Parte deles sobreviveu. Em 1996 o Governo alemão decidiu que o Dia da Libertação seria dedicado a lembrar Auschwitz, o campo da morte, preservado e transformado em museu pelos poloneses.
Sabia-se da existência do sistema de Auschwitz e outros estabelecidos por ordem de Adolf Hitler para o que chamou de ''solução final'' massacre de todos os judeus da Europa. Tratava-se de implantar os mais eficientes meios possíveis de matança. Estima-se em mais de um milhão e meio de pessoas os mortos em Auschwitz o maior dos campos construídos exclusivamente para o extermínio de seres humanos e em seis milhões os judeus assassinados em todos eles durante a guerra.
Até hoje, 60 anos depois, ainda não se consegue assimilar o que houve: o genocídio, o holocausto. Mas o pior de tudo: aparentemente, pouco se aprendeu.
Crimes em menor escala, porém, crimes de assassinatos em massa, continuam acontecendo com o conhecimento da chamada Comunidade Internacional os estados associados nas Nações Unidas. É só acompanhar o noticiário.
Em Israel, o primeiro ministro Sharon veterano da criação do estado judeu em 1948, soldado em todas as guerras protestou que tentam esquecer. E ressurge o anti-semitismo. Mas, enfatizou, Israel é a garantia para os perseguidos e voz em defesa de seus irmãos.
Dos 14 milhões de judeus no mundo de hoje, cerca de seis milhões vivem em Israel, muitos deles descendentes de sobreviventes dos campos da morte que foram recolhidos e acolhidos no fim da guerra. Ali se reflete bastante a respeito do peso da lembrança da matança havida de 1940 a 1945.
O ódio contra judeus, no entanto, ao contrário do que muitos pensam, aparece em várias partes do mundo atual e em versões muito parecidas com aquelas da Alemanha de Hitler. Sinagogas pichadas com frases de ódio; cemitérios violados; muros com horríveis e desdenhosas inscrições ou elogios ao nazismo; tentativas de cercear a liberdade de pensamento e de expressão de judeus em várias partes do mundo, atos terroristas e muito mais.
O estranho em tudo isso é o grau de ignorância que ainda existe entre pessoas tidas como instruídas e ativas em causas sociais, políticas e culturais em todas as partes. A data da libertação de Auschwitz, por exemplo, não é sequer mencionada em livros de efemérides de algumas grandes e respeitadas instituições. Tantas e tantas besteiras e informações fúteis são lembradas sem qualquer propósito enquanto são esquecidos fatos cujo poder de reflexão produziria algum benefício para nós e às futuras gerações. Será proposital?
A educação é o único meio de equilibrar os ânimos belicosos e outras tendências à violência do ser humano. Se assim é, devíamos, no mínimo, manter a memória destes e outros acontecimentos para que o ideal de igualdade, liberdade e fraternidade, bases sobre as quais todos desejam ou aparentemente desejam construir o mundo, tivesse plenas condições de prosperar e fazer de nós melhores seres humanos.
ABRAHAM SHAPIRO é empresário da área de Treinamento e Desenvolvimento de pessoas em empresas


