ESPAÇO ABERTO - O amor à frente de tudo
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 14 de abril de 2004
Walmor Macarini 
O amor é o mais poderoso instrumento de poder. O vigor de sua alavanca move o universo. Nem toda a fortuna, toda a liderança, toda a popularidade e toda a influência exercida por meios terrenos gera tamanha força e produz tanto milagre quanto esse estado de ser. Quando o amor é colocado à frente de tudo, os obstáculos exteriores se dissipam e a paz interior se instala.
E o que é o amor? Não, com certeza, o apego que se tem por pessoas e coisas, mas aquela real impulsão à tolerância, à benevolência, à boa vontade, à paciência, à compreensão, diante de situações hostis. Amor é a pessoa amar-se a si própria e alcançar o elevado grau de enxergar os outros como iguais, isto significando que os ama como a si mesma. Amor é amálgama, que a tudo une. O amor de Deus, de que se fala, tem o sentido da união de todas as coisas.
Amor não é simplesmente aceitar todas as coisas, mas compreendê-las em sua natureza, e se necessário algum reparo para melhorá-las buscar fórmulas sábias de solução, com o amor sempre à frente, que aí não haverá força contrária que resista. Nunca se soube que alguém tenha tido prejuízo por adotar essa prática, a não ser que objetive vantagens pessoais como retorno. Mas o amor incondicional, porque um poder, não cogita disso e nem se apercebe de nada. Apenas é.
Fala-se muito de amor mas pouco se compreende acerca de seu real significado. O amor é algo que não objetiva recompensa. Não é uma coisa que necessite ser correspondida. Amor que cobra amor não é amor. Poetas e cantores o utilizam para compor seus versos, e dizem que o amor, ''posto que é chama, é eterno enquanto dure''. Certamente que o amor é chama, e se é eterno, então é mesmo o amor, mas o que é eterno não conta tempo.
Amor é um estado de ser que se apresenta espontâneo, não percebido, ausente de estratégia e de artifício e nem deseja ser demonstração. Não há nele nenhuma chave e nenhum parâmetro. O amor não tem antônimo supostamente o desamor mas se desejamos colocar-lhe um anverso, este será o medo. Pela ausência do amor aflora esse atributo negativo, o do temor. Todas as reações negativas são manifestações de temor. Este é o pior adversário.
O amor, por ser um poder, não conhece medos. Quando o medo se instala é porque o amor não está presente. E se o amor escapuliu é porque o ego, muito estimulado e imediatamente acionado em qualquer situação adversa, está logo ali, presente e pronto, como leal atendente. As pessoas têm permitido que ele assuma o comando, e o resultado é o que sabemos. Assim como o medo, amor é energia em movimento. Incumbe saber qual das duas se quer usar.
Colocar o amor sempre à frente, ante qualquer circunstância, real ou supostamente por acontecer, é acionar a força superior inerente em cada ser, embora obscurecida pelas múltiplas facetas do ego que as religiões dominantes supõem serem demônios. Acionar o amor é reacender a chama alimentadora da vida.
WALMOR MACARINI é jornalista em Londrina


