ESPAÇO ABERTO - NYT, padrão Jason Blair-Larry Rohter
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sexta-feira, 14 de maio de 2004
Marcos Cesar Gouvea 
Confesso que não li o artigo do Brizola ontem. Nesta altura você só investe tempo em ler quem tem algo a dizer. Não é o caso. Como não é o Diogo Mainardi e Claudio Humberto Rosa e Silva (nosso derradeiro ''adido cultural'', numa sinecura de US$ 8 mil em Lisboa e porta voz da turma Collor-PC). Pois os citados acima são as fontes de Larry Rohter para a tal matéria sobre a ''preocupação do País'' com as cervejas e a cachaças'' que Lula consome.
Segundo diz o Planalto, o New York Times nem cogitou direito de resposta para uma matéria tola, feita com fontes sem credibilidade e leviana e diletante. Deve ter sido escrita após o terceiro drinque, num dia sem pauta. O editor, cheio de espaço, nem deve ter lido, como foi feito com as matérias de Jason Blair, que tornaram o NYT num jornal de ficção. Então o governo brasileiro tomou a medida extrema de cancelar o visto do sujeito. Será que errou?
Eu não conhecia o Rohter e fiz uma busca rápida na internet e as coisas ficaram mais claras: o correspondente do NYT está mais para aventureiro inconsequente que jornalista.
Além da matéria que reporta um suposto separatismo da Patagônia da Argentina, o Larry andou aprontando no Rio denunciando que tinha recebido uma carta com antraz (moda na época). Denunciou ''invasão de terras ianomanis pelo Exército brasileiro e estupros de índias por soldados'', matéria explosiva depois refutada pelo Exército. Andou fazendo matérias sobre ''terroristas na Tríplice Fronteira'' em Foz, num verdadeiro festival de barrigas. O estilo é o mesmo: ouve algumas fontes, não checa nada e publica. Ou seja, Larry é um aventureiro, não um jornalista.
Concluí que a cassação do visto está correta conforme analisa o jurista Dalmo Dallari. ''Para Dallari, 'foi absolutamente correta a interpretação tanto jurídica quanto política', adotada pelo governo brasileiro ao decidir cancelar o visto do jornalista americano. Na sua avaliação, a matéria não se qualifica como jornalística e nem é informativa e tampouco transparece a opinião do profissional''. (Agência Brasil, 12 de maio)
Também me espanta a facilidade das entidades reprentantivas de jornalistas em defender automaticamente aventureiros como Larry. Fenaj, Abraji, ACE e outras entram em frenesi corporativo. Saem em defesa de picaretas como Larry. Da mesma forma que não dão a mínima para os nossos próprios picaretas que estão tornando o jornalismo brasileiro um lixo.
Ontem descobriram que o Larry ganhou um prêmio de jornalismo, o Embratel. Mas o que tal fato muda? Há muito que os prêmios de jornalismo, inclusive o antigamente respeitado Esso, deixaram de ser referencial de qualidade. Há prêmios para todo lado, banalizou-se a coisa. Os caçadores de prêmios perdem mais tempo em busca de inscrições que trabalhando.
De modo que a minha opinião é simples: neste caso acertou o governo Lula. Quanto ao NYT, o jornal poderia mandar o Jason Blair para cá para substituir Larry Rohter. Manteria o famoso padrão NYT.
MARCOS CESAR GOUVEA é jornalista em Londrina


