ESPAÇO ABERTO - Nova família: abordagem pedagógica
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011
Aline de Paiva Morales <br> 
Durante muito tempo a família manteve um modelo clássico de organização cujos membros se limitavam a um pai, uma mãe, filhos e um só casamento. Esse conceito tem mudado ao longo dos anos e adquirido formas diferentes de representar o que chamamos família. É correto, portanto, falar em estrutura familiar na sala de aula como algo imóvel e comum a todos? Podemos reduzir o conceito de família a pai, mãe e irmãos interligados geneticamente?
O modelo clássico está mudando, convém nos adaptarmos a esta nova organização. São crianças que convivem com padrastos, madrastas, irmãos de criação, avós, meio-irmãos, parentes, casais homossexuais e outros. Falar em estrutura familiar em sala de aula exige concepção pedagógica e principalmente entender que o estereótipo de lar perfeito não se associa a família desestruturada, pois um lar com pai e mãe não é garantia de proteção, atenção, afeto etc.
A base da família de hoje está sustentada por formatos menos tradicionais, sendo prioridade a qualidade das relações e não somente relações consanguíneas, mudanças dignas de reformulação do código civil que teve a expressão ''pátrio poder'' substituída por ''poder familiar'', que pode ser exercido por ambos os sexos. A definição de família no novo Código Civil também mudou, agora abrange as unidades formadas por casamento, união estável ou comunidade de qualquer genitor e descendente. Isso quer dizer que laços sanguíneos não são suficientes para garantir aprendizagem, saúde psíquica etc.
De certa forma e muito nas escolas, existe a ideia preconceituosa de que alunos indisciplinados ou que não aprendem vêm de famílias desestruturadas. Confundem o sentido de estrutura com desestrutura familiar. Esses novos modelos de famílias, embora distantes dos modelos convencionados socialmente, podem, sem dúvida, oferecer à criança condições de obter sucesso na educação e uma vida harmoniosa, pois funções determinadas como maternas e/ou paternas podem ser assumidas por qualquer pessoa, por isso, quando se fala em família na sala de aula, deve-se ter em mente que as crianças têm o direito de não se sentirem diminuídas ou excluídas por terem uma família ''diferente''. Ainda hoje, é muito comum escolas atuarem como se existisse um modelo único de família, é preciso imaginar o que sentem as crianças filhas de pais separados ou homossexuais, diante de uma comemoração de dia das mães ou dos pais, por exemplo.
A família não se constitui unicamente seres de uma mesma geração, e sim seres unidos por laços de educação em comum, de partilha, afeto e cooperação.
Ter pai e mãe não quer dizer que eles realmente exerçam tais papéis, o que muitas vezes fica ofusco para a escola, por isso é preciso que os professores desmistifiquem o conceito estereotipado de família e, principalmente, não confundam o que foge a esses estereótipos com família desestruturada. No momento em que um aluno apresentar problemas na escola é preciso identificar os tipos de relacionamento e apoio que recebe em casa e não quem são as pessoas que ele tem lá, além disso, a escola pode criar entrevistas, debates e apresentar dados sobre as configurações familiares. Isso faz com que a criança inserida nessas famílias sinta-se incluída, fato que interfere na saúde mental e desenvolvimento social. Não significa que as novas formações familiares recomendem estratégias diferentes de lidar com os alunos, significa simplesmente contemplar as características de cada família, sua formação e acima de tudo respeitá-la.
ALINE DE PAIVA MORALES é graduada em Letras com especialização em Língua Espanhola e acadêmica de Pedagogia em Assis Chateaubriand


