Pessoas se lamentam que são sozinhas e que não têm ninguém, mas elas possuem a si mesmas. Ter a si próprio e estar vivendo a oportunidade de existir e de estar aqui, realizando este extraordinário experimento terreno, é uma dádiva. Temos a nós e ao mesmo tempo temos a todos. Em qualquer circunstância em que nos encontrarmos, seremos sempre uma individualidade. Isto não quebra o princípio da unicidade e nem da interdependência que existe entre os seres e todas as coisas, porque compomos uma grande e única consciência. O dom de ser é o mais glorioso dos acontecimentos.
Quando escrevi, certa ocasião, que devemos colocar o eu em primeiro lugar, muitas pessoas não entenderam, mas o sentido era que cada ser é a síntese do universo e encerra em si todo o conhecimento. Nada a ver com o que armazena em seu intelecto. É a partir de cada um que as coisas acontecem. Tal não invalida a solidariedade, a existência das almas pares e a ajuda que precisamos ter em determinadas circunstâncias da vida terrena. Porém melhor do que a dependência afetiva de alguém e o temor de perdê-la ou não tê-la, é a consciência universal de fraternidade, de ver em cada ser humano um igual e da mesma forma ver um igual em cada divindade.
Há que rever a idéia de que temos salvadores, porque nossos iluminados mestres têm proclamado que eles são apenas nossos 'irmãos mais velhos'. Jesus tem nos dito isto repetidas vezes, e não há dois mil anos, mas agora. Naqueles tempos ele também nos passou essa mensagem 'o Reino está dentro de vós' mas poucos a entenderam. Se nos apoiamos em supostos salvadores, negamos nossa condição divina e retardamos nosso avanço individual. Há caminhos a percorrer, através das muitas e diferentes moradas, e todos os nossos 'irmãos mais velhos' (e eles são muitos) estão prontos a nos ajudar nessa caminhada, porque isto faz parte também da voluntária missão deles. Todos nós e eles somos idênticos obreiros.
Nada é estático e o universo é um grande campo de trabalho. Não há ociosidade para nada e para ninguém, e quando sairmos desta iremos encontrar uma tarefa a executar, geralmente similar ou pertinente à que exercemos aqui. Se hierarquias existem nas elevadas esferas é porque há um ordenamento, mas não no sentido de domínio e sim de sábia regência. Nós temos pensado equivocadamente que somos a nossa personalidade, mas nossa personalidade não nos conhece e por isso não sabe revelar o que somos.
Práticas de meditação, que é nos prostrarmos em silêncio interior para só ouvir nossa intuição que é a nossa chama divina nos conduzirão a estados de transcendência para a nossa verdadeira realidade, em contraposição à nossa realidade falsa, ilusória, que é a que imaginamos ser ao nos mirar no espelho. A recorrência ao nosso Eu Superior nos possibilitará saltos momentâneos que sejam para essa realidade suprafísica, e aí enxergaremos a verdade e passaremos a compreender todas as coisas.
WALMOR MACARINI é jornalista em Londrina

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