Dizem que no Natal todos se tornam melhores, mais compreensivos, mais generosos. É verdade. Deve ser aquela cena pobre, com um menino indefeso no colo de uma jovem meiga, protegidos por um trabalhador honesto, que suscita sentimento de bondade. Mas, e depois? E os outros 364 dias do ano? Jesus não fez uma aparição de um dia, não fez um gesto de bondade, mas passou aqui uma vida inteira, totalmente doada.
Cumpriu a missão de revelar o amor de Deus através de sua presença contínua entre nós. Natal é só o início, mas que já contém em si tudo o que virá depois: a pobreza e os pobres, a exclusão, o amor na solidariedade, a Boa Nova, a paz a pureza. Uma criança nasce para crescer na vida, como uma semente que se desenvolve até se tornar árvore e dar flores e frutos. Ao redor do menino nascido do Natal foi perpetrada a chacina dos inocentes: esperanças cortadas. Não será que acontece um pouco a mesma coisa, quando reduzimos nosso Natal a um só dia?
Para que isso não aconteça, é necessário que o Natal se torne estilo de vida, normalidade. Uma pessoa não é saudável, se está bem de vez em quando e não é boa, se faz alguns gestos de bondade. Deus é amor e Jesus nos revelou isso no Natal até o calvário. A missão não é propaganda de valores em tempos determinados, como num comercial de TV. É toda a vida vivida conforme o Evangelho. Uma das maiores obras de Deus em favor de cada um de nós, é que ele nos presenteou seu próprio filho na noite de Natal. ''O Verbo Eterno se fez carne e habitou entre nós'' ( Jo. 1,14 ).
Este Deus que criou todo este infinito universo povoado de milhões de astros e galáxias, ele se fez pequenino como nós sobre este minúsculo planeta Terra. No Natal podemos sem medo ouvir a voz dos anjos:''Não tenham medo. Eu lhes anuncio uma grande alegria, que deve ser espalhada para todo o povo. Hoje nasceu para vocês um Salvador, que é o Cristo Senhor''. Em coro de anjos cantava por sobre a gruta do nascimento do menino Jesus: ''Glória a Deus no mais alto dos céus, e paz na terra aos homens por Ele amados'' (Lc. 1,10).
O Natal não é a celebração de um aniversário que passou há dois anos, mas sim a presença viva do Verbo eterno entre nós, porque alegremo-nos no Senhor, hoje nasceu o Salvador do mundo, desceu do céu a verdadeira paz. No Natal Deus se faz presente na nossa história através de seu filho Jesus Cristo.
MONSENHOR NATALÍCIO JOSÉ WESCHENFELDER é pároco de Santa Rita de Cássia em Marmeleiro

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