Vivemos dias de profunda reflexão em relação à política econômica. Os números são assustadores. Ainda que o IPCA tenha caído de 916% em 1994 para 7,6% em 2004, perguntamos quanto isso nos custou, sabendo que as questões envolvidas não estão somente ligadas ao combate à inflação mas à relação receita/despesa e, portanto, ao processo de endividamento. A dívida líquida, nesse mesmo período, passou de 30% para 52% do PIB e a carga tributária bruta passou de 29% para 37% do PIB.
Os gastos públicos federais fecharam o ano de 2004 com um aumento de 11%: em 1995 eles equivaliam a 16,5% e hoje equivalem a 23% do PIB. O que está acontecendo? Além de ter dobrado os gastos assistenciais na última década, a máquina pública brasileira vem batendo recordes de despesas a cada dia: nos dois primeiros anos do governo Lula elas aumentaram R$ 30 bilhões, acima da inflação. A despesa financeira chegou a R$ 74 bilhões e a social a R$ 72 bilhões. Só para citar: o programa bolsa família consumiu em 2004 R$ 5,9 bilhões e pretende atender em 2007 a 11,4 milhões de lares; a folha de pagamento do funcionalismo crescerá entre 2004 e 2005 R$ 12 bilhões, sendo que o governo Lula aumentou em 27,4% o item locação de mão de obra. Em dez anos, a receita líquida da União cresceu 73% e as despesas sociais, 122%.
Não por acaso, começam a surgir movimentos de rebelião contra a voracidade arrecadatória do governo, lembrando a derrama que levou à conjuração mineira. A sociedade não está mais suportando a solução simplória e simplista: aumenta-se a despesa e para compensar aumenta-se simultaneamente a receita, repassando a conta para o cidadão, por imposição, conforme aconteceu com o Cofins no ano passado e agora com IRPJ e a CSLL através da medida provisória 232.
Pergunto: para onde a política econômica está nos levando? O que é mais importante: acudir com o bolsa família os necessitados ou criar empregos, se muitas vezes as pessoas potencialmente beneficiáveis são as mesmas? Como resolver o problema da informalidade - adotada genericamente para fugir dos altíssimos encargos - que atinge 60% dos empregados brasileiros? E como fica o controle disso tudo? Quem está trabalhando na informalidade pode receber o auxílio governamental, sem declarar nada.
Aqui a vida em sociedade está ficando inviável, a cada dia mais pessoas se tornam inadimplentes e, portanto, maus pagadores. Não suportamos mais arcar com as contas que o governo nos apresenta.
JUNKER DE ASSIS GRASSIOTTO é engenheiro civil em Londrina e presidente do Sinduscon Norte

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