Na sua visita a Londrina, o governador Roberto Requião questionou nossa ''neutralidade''. Na verdade, prefiro outro termo mais enfático: independência! O neutro leva a uma atitude passiva semelhante ao ''laisser faire'' francês; o independente apela para a ação positiva que reflete uma postura de interferência no processo.
Antes de qualquer avaliação ética sobre esse posicionamento, Londrina deveria responder a duas questões básicas importantíssimas. Como um prefeito cassado atinge mais de 40% das intenções de voto, e por que um prefeito em exercício, com a máquina em pleno vapor, não aparece como o grande vencedor imediato!
De um lado, a triste constatação de que a corrupção é tão endêmica no nosso país que não será um Movimento pela Moralização esporádico que irá bani-la. Serão necessários muitos anos, para que o povo, liberto da fome, do desemprego e do analfabetismo, diga um estrondoso não a práticas políticas perversas e enganadoras. Não tenho a certeza se isso é de grande interesse para as elites dominantes em nosso país - mesmo as atuais!
O PT chegou ao poder embalado pelo sonho de uma mudança profunda em todos os segmentos, mas especialmente na ânsia de se ver o tecido social brasileiro reformado radicalmente. O que se viu desde a posse do presidente foi um mar de desilusões e de números conflitantes.
Acrescente-se as tremendas decepções oriundas da tentativa de controle externo do Judiciário, do desdém de algumas autoridades da República sobre o Ministério Público, do status de ministro ao presidente do Banco Central e outras aberrações transmitidas através de piadas de mau gosto e veremos ao que chegamos!
Dizer, portanto, que o PT representa o futuro e a página virada de um passado recente de nossa cidade, é um engodo! Como já foi dito, o Partido dos Trabalhadores sempre fez parte dessa história que agora rejeita. Não vejo no senhor prefeito atual, nenhuma novidade política ou administrativa que justifique cerrar fileiras em torno dele contra a corrupção e também não percebo que seja antiético optar pela independência neste segundo turno. Não sou covarde. Não o fui quando saí às ruas de Londrina com a bandeira da moralidade nas mãos junto com outros companheiros, enquanto muitos nos aprovavam timidamente das sacadas. Não o fui também quando na cidade do Álvaro, levantei seus ideais de candidato ao governo, e não o fui mais de um par de vezes, quando como chefe de Escritório Regional enfrentava os prefeitos descontentes, defendi v.exa. que no primeiro ano de governo ''arrumava a casa'', infelizmente em frangalhos.
Feliz do povo que não se contenta com migalhas e não cede à inércia da mediocridade, senhor governador! Aqui em Londrina, merecemos e queremos mais. O ''menos ruim'' para nós não é aceitável.

MANUEL JOAQUIM R. DOS SANTOS é presidente do diretório municipal do PPS em
Londrina

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