ESPAÇO ABERTO - Nervos à flor da pele
Recompor projeto de Niemeyer
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 22 de novembro de 2012
Vinicius Montai <br> Walmor Macarini 
Nervos à flor da pele
A ansiedade toma conta dos alunos que sonham com uma vaga na Universidade Estadual de Londrina (UEL). O resultado da 1 fase e convocação dos candidatos para a 2 fase será divulgado hoje, às 17 horas. Mesmo antes do resultado oficial, os candidatos já estão de olhos atentos para a 2 fase do vestibular, com uma preparação intensiva, estudando apenas as disciplinas específicas de cada curso, línguas e redação. Diferentemente do que ocorria tradicionalmente, com questões objetivas na 2 fase do processo de avaliação, desde o ano passado a UEL resolveu adotar questões discursivas.
Anteriormente a prova nesta fase contemplava 20 questões objetivas por disciplina, agora são apenas 4 questões discursivas.
Existe uma discussão sobre a referida mudança. Já que a ''sorte'' não existe mais, a probabilidade de 20% de acerto de uma questão na qual o aluno não tenha conhecimento é abandonada. Assim, o processo seleciona com maior rigor os alunos que detém o conhecimento. Porém, a maioria dos professores concorda que com apenas quatro questões é muito grande a quantidade de matéria não exigida em tal processo, por exemplo: na prova de Física do ano passado, as questões abordavam apenas conhecimento sobre magnetismo, mecânica e termodinâmica, já muitos assuntos contidos no edital do programa da disciplina de Física como fluidos, circuitos elétricos, eletricidade, radiação, cosmologia, óptica e ondas não foram exigidos.
Acredito que este modelo será utilizado por alguns anos. Assim, o aluno que tem o objetivo de ingressar na UEL precisa adaptar-se e desenvolver suas habilidades nos diferentes domínios cognitivos como conhecimento, compreensão, aplicação, análise e avaliação se faz necessário. Desta forma, a orientação é que o aluno procure um método de ensino que favoreça a construção de suas competências cognitivas como comparação, associação, classificação e interpretação.
VINICIUS MONTAI é mestre em ensino de Ciências em Londrina
Recompor projeto de Niemeyer
A antiga Estação Rodoviária de Londrina (hoje Museu de Arte) é um patrimônio da cidade porque ostenta um belo e arrojado aspecto arquitetônico, e porque é obra de um renomado arquiteto da época: João Batista Vilanova Artigas. Toco no assunto pela oportunidade em que este Jornal publica (edição de terça-feira) reportagem sobre essa obra. Na ocasião ninguém ousou modificar o desenho original, da mesma forma que foram mantidos intactos os projetos do Cine Ouro Verde, da Casa da Criança (agora Secretaria de Cultura) e do edifício Autolon, que na ocasião também transcendiam, pela beleza das formas, o estilo da arquitetura tradicional.
A mesma sorte não teve o arquiteto Oscar Niemeyer, mundialmente consagrado, que teve modificado pelo então prefeito o seu projeto original da atual Estação Rodoviária de Londrina. O aquiteto ficou tão indignado com isso que declarou jamais voltar a Londrina. Foi o primeiro caso de alguém alterar uma criação desse ícone da arquitetura mundial.
O genial projetista (autor, com Lúcio Costa, do projeto de Brasília) está com 105 anos, e as cidades que têm uma obra dele - no Brasil e no mundo - se orgulham disso. Londrina poderia estar no rol dessas privilegiadas cidades se o desenho autêntico não fosse desfigurado. Quem viu se lembra das explosões de dinamite detonando as colunas já construídas - até então obra do prefeito anterior, que contratara Niemeyer. Da mesma forma foi penoso, na mesma época, ver o mesmo mandante municipal sucessor, autorizar que se enchesse de entulhos parte do Lago Igapó 2, sufocando as águas.
Mas penso que nem tudo está perdido, porque - assim como se busca recuperar o Cine Ouro Verde - ainda é possível recompor o projeto original de Niemeyer. Tomo a liberdade de conclamar os arquitetos, os estudantes da área e o Clube de Engenharia e Arquitetura de Londrina a que se mobilizem nesse sentido. Agora não há dinheiro, e sei que tal não é prioritário, mas que essa ideia não seja abandonada, para salvaguarda da imagem da arquitetura e respeito ao notável arquiteto.
WALMOR MACARINI é jornalista em Londrina


