O homem e todas as coisas ''do céu e da terra'' dão qualidade a Deus, assim como a lâmpada dá qualidade à usina. Sem a lâmpada, a usina não teria forma de manifestar-se. Seria um vigoroso dínamo girando sobre si mesmo, sem nenhuma serventia. Sem os seres do universo e tudo o que é e existe, Deus não seria. As coisas que são e estão qualificam a sua presença. Não há divisões, portanto não queira o homem separar ''o que Deus uniu''. Em outras palavras, a imaginação humana não separa a unicidade do todo, daquilo que é e está.
Deus é a pulverização de si mesmo manifestada por todas as coisas que compõem o universo. Se nos olhamos, estamos olhando um aspecto de Deus. Sem a lâmpada, a usina não tem condição de revelar-se, assim como a lâmpada não se expressa sem a existência da usina. Uma validando a outra, sem separação, uma vez que tudo é um só conjunto. Assim como os dedos da mão compõem o homem, e o oceano é inseparável das gotas d'água, pois sem elas, não seria.
Para dizer certas coisas escasseiam as palavras, porque elas não foram produzidas com a suficiência necessária para expressar a linguagem do mistério. Impossível crer-se fora da usina cósmica que compõe o universo, pois ela nada significaria sem os elementos de sua manifestação: os seres, as galáxias, o pulsar da vida que rege todo o cosmos. Também não há dimensão sideral, como a imaginamos por medidas métricas, nem tempo linear, como medimos por imaginários dias, contados só porque a Terra gira a cada 24 horas em torno do Sol. Fora do imaginário espaço e do tempo (algo que sentimos por havermos descido a esta densidade), tudo é um só momento e não há distâncias.
O Céu de que se fala é um estado de consciência, que nos irá situando nos níveis das ''muitas moradas'', por uma sábia indução. Cada um de nós não está distante nem próximo de nada, se entendermos que somos imateriais em nossa essência sutil e que nosso corpo físico o eu menor, o irreal, o não-verdadeiro, o ilusório é apenas uma vestimenta temporária para que o nosso eu maior possa suportar a pressão da tridimensionalidade em que aportamos assim como o astronauta precisa de seu traje protetor especial. Nossa realidade suprafísica, que é imutável e imperecível a nossa única realidade não ocupa espaço e não vive nenhum tempo, significando não haver nem passado e nem futuro mas só o eterno presente.

WALMOR MACARINI é jornalista em Londrina

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