''Não sabemos para onde ir porque não sabemos de onde viemos'', disse certa vez o arquiteto Le Corbusier (1928). Sob esse enfoque, é preciso revigorar as iniciativas de preservação do patrimônio histórico nas ''jovens'' cidades norte-paranaenses. Deve-se salientar que preservar e ''construir'' o patrimônio histórico cultural é importante não só para as futuras gerações, mas também para nós. No momento em que parte significativa da população irá sofrer uma perda progressiva da memória com a idade, os edifícios e lugares significativos serão importantes para o conforto nas terapias de rememoração e retardamento do processo degenerativo.

Recente reportagem de jornal fala sobre os túmulos ''esquecidos'' pelas famílias no cemitério pioneiro do Patrimônio Heimtal em Londrina. Mais que isso, fala em retirada dos restos, seguindo o processo já realizado no Cemitério São Pedro em 2002. A desapropriação de túmulos, ainda que ''esquecidos'' por familiares, deveria ser evitada.

Segundo o ''Registro de Inhumações'' do Cemitério de Heimtal, foram ali enterrados, a partir de 1931 até 1947, russos, alemães, austríacos, tchecos, iugoslavos, italianos, romenos, poloneses, ''mineiros'', ''paranaenses'' e brasileiros, uma outra Londrina multicultural.

Túmulos antigos constituem testemunhos importantes, trazem informações preciosas sobre a sociedade, esperanças e lembranças, e deveriam ser preservados. Se não conseguimos gravar a história de 70 anos, o que será aos 170, aos 570, aos 1.070 anos de nossas cidades?

Sabe-se que na Europa, alguns antigos cemitérios tornaram-se parques. Por exemplo, a Necrópolis de Glasgow na Escócia, considerado um dos mais importantes cemitérios vitorianos, era já no século XIX um dos passeios favoritos da população.

Segundo Narumi (1990), os cemitérios devem ser preservados também como antítese ao desenvolvimento descontrolado das cidades, e como valorização do significado dos lugares.

Na dificuldade de se desencadear um processo sistemático de preservação do patrimônio histórico e cultural no Norte do Paraná, Londrina e outras prefeituras poderiam começar preservando as Necrópolis as cidades dos mortos. Parte significativa da história estará ali gravada, ainda que ''...memórias profundas não se rendem a epitáfios.'' (Melville, 1851).

HUMBERTO YAMAKI é arquiteto e docente do mestrado em Geografia, Meio Ambiente e Desenvolvimento da Universidade Estadual de Londrina

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