Quando me formei em Educação Física meu primeiro pensamento era o mesmo de quase todos formandos: trabalhar na área e se manter com essa atividade. Uns foram, outros ficaram, alguns fizeram e alguns se mantiveram. Fui convidado por atletas de fisiculturismo que sabiam tudo de levantamento de peso e anabolizantes, mas sem o devido diploma não podiam abrir uma academia, então se um professor estivesse ali pra assinar por eles, tudo bem. Tudo bem pra ele, pois se acontece um acidente com algum aluno quem paga o pato (?).
Um médico, antes de sê-lo, passa 5 anos na faculdade, dia e noite, noite e dia, uma verdadeira luta, depois é ''moleza'', só mais dois anos de residência (já passou por um plantão médico no HU?). Depois de todo esse tempo, o médico, se não consegue salvar a vida do senhor que tinha câncer no pulmão (por excesso de cigarro) pode ter de se explicar na Justiça por suposto ''erro médico''). O engenheiro que cuida de uma obra pode ir preso, se o seu servente que se negou a usar o capacete levar uma martelada na cabeça e despencar lá de cima.
Pra não alongar demais essa história, pense nas demais profissões que exigem anos e anos de estudos, estágios e sacrifícios. O dentista que fez o canal no dente errado, o farmacêutico que receitou a dose certa pra pessoa errada, o administrador de escolinha infantil que não abusou das criancinhas, mas pagou e caro por isso. A psicóloga que se apaixonou pelo cliente maluco e foi convidada a se retirar da profissão. Errou! Dançou!
Agora, vejamos a situação dos políticos sem generalizar, é claro. O cara se forma no quarto ano primário, às vezes nem isso, monta um comércio, fica conhecido no bairro e de repente vemos o cara (de pau!) tentando convencê-lo de que ele é a situação da sua cidade. Depois de alguns anos ele está rico, descobrem e provam suas falcatruas, que vão de aceitar módicas propinas, desvio de alguns milhões de dinheiro público e até assassinatos. E o que acontece com ele?
Creio que esses senhores antes de pensarem em se candidatar para o que fosse vereador, prefeito, síndico de condomínio deveriam passar no mínimo pelo que nós passamos, 1º e 2º graus, cursinho, vestibular, depois um curso de no mínimo 7 anos, fazer estágio numa favela, numa recepção do INSS, uma temporada no interior do sertão, aí quem sabe, depois de um doutorado tentar ser candidato.
Ah! e o tal termo imunidade parlamentar, deixaria de existir. Pense muito bem antes de apertar a tecla confirma e bom voto!

PEDRO LUIZ RAMOS é professor de Educação Física em Londrina

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