Vejo ao canto, na casa de minha amiga, o buquê de rosas murchando, em dolorosa agonia, porque, sem a seiva que as nutria, venceu-se o prazo de resistência delas. Desconectaram-nas cruelmente do seu canal de vida, para presenteá-las a alguém, mas, ao mesmo tempo, decretaram-lhes alguns dias mais de perenidade e depois a morte e o gesto derradeiro do desprezo, ao lançá-las no lixo como um estorvo.
Por que as pessoas fazem isso com as rosas? Por que as cortam, sabendo que, ato contínuo, elas irão definhar, se ainda dispunham de mais tempo de vida?! Com certeza, as pessoas que fazem isso não amam as rosas.
Se presentear com flores é um gesto de carinho, vamos ser carinhosos também com essas preciosidades da natureza, doando a planta inteira, cultivada num vaso com suas raízes, para que dure enquanto lhe determinar o ciclo de vida. Assim a teremos por mais tempo, poderemos regá-la e acarinhá-la, sem impor-lhe arbitrariamente a decretação da morte. Porque não temos essa autorização.
Flores destinadas à venda deveriam ser cultivadas em vasos, suficientes em tamanho e quantidade de terra, para que cresçam e continuem ali, atingindo o seu porte perene.
Se amamos tanto as pessoas a quem presenteamos com rosas e outras flores, não haverá nada mais belo do que esse arranjo vivo. Deveria ser proibido colher flores. Assim como é proibido derrubar uma árvore. Os cultivadores de flores para fim comercial e as floriculturas nada perderiam com essa mudança de embalagem; ao contrário, talvez até ganhassem mais com a inovação.
Quem não gostaria de receber em casa um vaso de rosas vivas?! Grande que fosse, caberia até num minúsculo apartamento. E seria um presente para durar, porque um pé de rosa, se é podado regularmente depois que cada flor vai cumprindo sua etapa de vida, é para muito tempo.
Foi triste assistir à decrepitude daquelas rosas na casa de minha amiga. Se temos de decorar uma mesa com flores, não há necessidade de cortá-las. Se a igreja tem de estar florida para a festa de casamento, grandes vasos com flores vivas inundariam o ambiente de agradável vibração. E quem sabe os casamentos poderiam dar mais certo...
Flores cortadas são símbolos de morte, e não à toa povoam os cemitérios no dia de finados. Nossos queridos que se foram e que estão mais despertos do que nunca certamente desejariam receber flores vivas como homenagem e não flores que no dia seguinte estarão murchas.
Mandar flores é ótimo. Recebê-las, ainda melhor. Porém inteiras, presas às suas raízes. A natureza retribuiria em agradecimento.
Fazer o mundo melhor começa por essas pequenas coisas.
WALMOR MACARINI é jornalista em Londrina

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