O muro de Berlim foi o principal ícone do mundo bipolar. Com sua queda, ocorrida em 9 novembro de 1989, declinou também o socialismo real, pois mais do que um muro divisor de uma cidade, era também o divisor entre dois sistemas econômicos e políticos, ideologicamente antagônicos e rivais.
Construído num dos períodos mais agudos da Guerra Fria (1961), com extensão de 155 km, sendo 43 dos quais separavam Berlim Ocidental do território da República Democrática Alemã (RDA). Durante 28 anos, separou famílias, amigos, vizinhos, casais, ruas, praças. Enfim, gente do mesmo país viram-se afastadas por uma guerra que não era a sua.
Ressalta-se, que foi a fronteira simbólica entre o capitalismo e o socialismo, sendo também a comprovação real da ineficácia das mazelas e dos fracassos do sistema soviético. O capitalismo venceu?
Cabe dizer que a reunificação da Alemanha do ponto de vista econômico constituiu-se, inegavelmente, enorme êxito transformando-se na maior potência européia e a terceira maior economia do planeta.
Contudo, de acordo com cientistas políticos e sociólogos, o país apresenta diferenças por preconceitos, crises de identidade e disparidades de mentalidades e perspectivas. Para muitas pessoas, o muro na cabeça poderá perdurar mais do que os 28 anos de existência do muro de concreto.
Pensou-se, equivocadamente, que a derrubada do muro de Berlim fosse significar o fim do muro entre os povos. Ora, mesmo sem o muro de Berlim o mundo continua dividido em duas partes segregadas.
Em um dos lados estão aqueles que detêm as técnicas capazes de transformar a natureza em riqueza material e cultural, se alimentam melhor, têm mais segurança, vivem mais.
No outro lado, estão os excluídos que vivem menos, comem menos, têm pouca saúde, em suma estão submetidos a todas as formas de escassez formando uma ilha social de pobres.
Passados 15 anos da derrubada muro de Berlim, cabe à sociedade contemporânea aceitar o inadiável desafio em derrubar o muro das desigualdades sociais entre os ricos e pobres. Este muro das desigualdades somente será demolido com investimentos prioritários nas áreas social, educacional e qualificação humana. Somente assim poderemos erradicar a pobreza.
As palavras transcritas acima podem parecer utópicas. Conquanto, afirmar que a utopia não pode ser realizada é negar o homem. Aliás, o que diferencia o homem dos outros seres é a sua capacidade de transformar sonhos em realidade.
ADRIANO MOREIRA TRINDADE é geógrafo e professor em Londrina

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