ESPAÇO ABERTO - Mudanças nos exames psicotécnicos
PUBLICAÇÃO
domingo, 12 de agosto de 2012
Julieta Arsênio <br> <br> 
O Detran-PR fez mudanças nos exames psicotécnicos. De acordo com a Resolução do Conselho Federal de Psicologia, o psicólogo avaliará várias funções cognitivas dos motoristas: apresentar atenção em quatro diferentes tipos, inteligências e memória, orientação espacial, julgamento ou juízo crítico, tomada de decisão e traços de personalidade. Estes aspectos devem ser avaliados por meio de entrevista e aplicação de testes psicológicos. A entrevista é obrigatória e individual, e o psicólogo é obrigado a realizar a entrevista devolutiva, apresentando de forma clara e objetiva, a todos os candidatos, o resultado de sua avaliação psicológica.
Os resultados das avaliações devem considerar e analisar os condicionantes históricos e sociais e seus efeitos no psiquismo do candidato, com a finalidade de servirem como instrumentos para atuar sobre o comportamento do indivíduo às situações no trânsito.
A avaliação psicológica no contexto do trânsito é uma exigência do Código de Trânsito Brasileiro e do Conselho Nacional de Trânsito. A avaliação psicológica é um processo técnico-científico de coleta de dados, estudos e interpretação de informações a respeito dos fenômenos psicológicos dos indivíduos. É um processo de conhecimento do outro de forma científica e especializada.
Após a finalização da avaliação o psicólogo elabora um laudo que, do meu ponto de vista, trata-se de um parecer com resultado final conclusivo. Atualmente, existem três tipos de resultados possíveis: 1- apto, quando o desempenho apresentado é condizente para a condução de veículo automotor; 2- inapto temporário, quando não é apresentado desempenho condizente para a condução de veículo automotor, porém o avaliado possui um tempo para se adequar e voltar a fazer o processo para a obtenção da CNH; e 3- inapto, quando o desempenho apresentado não é condizente para a condução de veículo automotor.
De que adianta recomendar ao candidato que deve dormir bem na noite anterior ao exame, alimentar-se de forma leve e saudável, estar confortavelmente trajado, não ingerir bebidas alcoólicas ou outras substâncias psicoativas, procurar estar concentrado nas atividades, se o momento do exame é apenas um momento e o seu dia a dia? Até aqui tudo bem, mas onde estão as mudanças?
Após duas décadas de experiência nessa área, com algumas pesquisas, posso afirmar que os meus colegas deveriam atuar junto aos centros de formação, preparando e avaliando os futuros condutores em suas habilidades, conforme reza Resolução 007/09.
Como posso avaliar alguém que pretende ser motorista, em questões de poucas horas e uma entrevista na maioria das vezes subjetivas? O ato de dirigir é complexo, envolve diversas competências, habilidades e atitudes e requer do motorista um bom nível de maturidade emocional e capacidade intelectual, as quais lhe permitem interpretar estímulos e reagir estrategicamente no trânsito.
Sendo assim, a CNH não pode ser considerada como um direito de todos, mas sim como uma permissão, um privilégio que o Estado concede àquelas pessoas que se mostram capazes e aptas para obtê-la.
Portanto, a avaliação psicológica tem por finalidade contribuir para promover a segurança dos motoristas, já que o psicólogo é um dos responsáveis pela liberação do candidato para a direção de veículos automotores.
JULIETA ARSÊNIO é psicóloga especialista em Comportamento de Trânsito em Londrina
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