Neste momento da globalização, buscamos transferências de tecnologias em todas as áreas, investimos em inteligência competitiva para alavancar nosso desenvolvimento, mas estamos perdendo as experiências e saberes adquiridos pelos nipo-brasileiros nesses 15 anos do movimento dekassegui.
Temos quase 400 mil pessoas que retornaram ao nosso país que estão dispersas e marginalizadas do processo produtivo ou subempregadas. São ex-funcionários das empresas japonesas que lá estiveram por muitos anos, trabalhando em ambientes com grande aporte tecnológico, operando sistemas de alta produtividade e conhecendo tecnologias que nem chegaram ao Brasil.
Como sistematizar todo esse capital intelectual? Criando centros de capacitação e treinamento nomeados de Centro de Apoio ao Desenvolvimento Estruturado (Cades), onde todos os ''retornados'' poderão fixar e transmitir seus conhecimentos e experiências por meio de processos interativos, a fim de obterem a visão sistêmica e serem qualificados como difusores dessas práticas.
Valorizando a força produtiva através da organização de cooperativas de serviços, divididas em departamentos de acordo com o perfil do grupo e com subdivisões por células de processo. Formando equipes multissetoriais segmentadas com competência e produtividade já testadas e aplicando conceitos avançados de qualidade internalizados esses saberes, teremos várias equipes especializadas que poderão ser monitores de produção nas empresas, independente do parque industrial porque teremos um nivelamento superior da mão-de-obra que será o grande diferencial.
Nesses centros, também, as pessoas interessadas em trabalhar no Japão serão treinadas conforme as necessidades do empregador, promovendo sua imediata inserção no sistema produtivo. Ganhando a indústria e o funcionário que lá chegaria capacitado e sendo melhor remunerado. Consequentemente, seremos reconhecidos pelos empresários como provedores de mão-de-obra qualificada, abrindo a perspectiva de receber investimentos multinacionais do capital produtivo.
Poderão ser alocados nas cidades onde já existem pólos convergentes para também serem utilizados na produção de componentes, ao receber através de parcerias internacionais, máquinas e equipamentos que foram substituídos pela nova geração, mas que ainda mantêm um nível tecnológico superior aos similares nacionais.
O investimento para implantação será mínimo porque poderemos utilizar as instalações do SENAI, SESI, SENAR ou as do extinto IBC por meio de parcerias com as indústrias locais, gerando novos empregos e aumento da qualidade de vida da população.
Através desse processo educacional vamos formar técnicos que poderão trabalhar em ambientes de alta performance, trazendo divisas ao Brasil, melhorando a distribuição de renda e promovendo o desenvolvimento estruturado em várias regiões .
Como ex-dekassegui e pedagogo busco a implementação desse projeto e aguardo sugestões de aperfeiçoamento pelo e-mail: [email protected] porque a dinâmica do desenvolvimento não ocorre enquanto dormimos .
CARLOS CHOJI KOTINDA é pedagogo e representante do Centro de Informação e Apoio ao Trabalhador no Exterior (CIATE) em Londrina

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