ESPAÇO ABERTO - Motivação
PUBLICAÇÃO
domingo, 27 de junho de 2010
Wagner Munhê 
Existem empresas e estilos de administração. Algumas são ultramodernas, com horário flexível, instalações que se assemelham a um grande parque e que permitem inclusive que colaboradores levem o cachorro para o trabalho. Outras ainda estão no estágio do Taylorismo puro. O restante se situa entre esses dois extremos.
Imaginemos uma empresa cuja atividade é eminentemente física, com uma força de trabalho de baixo grau de instrução e líderes completamente despreparados. Quando essa empresa começa a ter problemas, a primeira coisa que vem à mente dos diretores é que ela precisa motivar seu pessoal.
Mas ninguém pode estar motivado com um chefe grosseiro, trabalhando 14 horas por dia em um ambiente barulhento a 40 graus de calor. E se reclamar, o chefe diz: ''Tem uma fila lá fora querendo o emprego''.
E, novamente pensando em extremos, o que esta empresa quer é a mágica de motivar pessoas que só tem motivos para estarem desmotivadas.
No outro extremo estão empresas que veem seus colaboradores como um de seus recursos mais valiosos. Que os veem como força física ou técnica, e também como importante fator de sucesso para o negócio.
Mesmo estas podem estar apontando para o lugar errado quando se fala em motivação. Pode ser que o que precisem seja alinhar os sonhos dos colaboradores com os sonhos dos donos ou diretores. Ou dos gerentes. Ou com os propósitos de sua atividade.
Como pode um pacifista estar satisfeito trabalhando numa fábrica de metralhadoras?
Ninguém pode ser feliz quando, como diz uma amiga minha, seus sonhos são tangenciados pelos sonhos de outra pessoa.
Muitas vezes para atingir o que desejamos é preciso traçar uma rota que não vai diretamente ao alvo. E com a motivação não é diferente. Via de regra nós a conseguimos não pela motivação em si, mas criando as condições para que ela exista.
E essas condições não devem ser confundidas com alegria. A motivação traz alegria. Mas a alegria traz apenas alegria.
A verdadeira motivação consiste em se fazer o que gosta. E o melhor teste é se perguntar: ''Se eu ganhar na mega-sena eu continuo fazendo o que estou fazendo?''.
Se a resposta for não, não há palestra motivacional, treinamento ou livro de autoajuda que consiga resolver.
É importante lembrar que ninguém consegue motivar ninguém. A motivação é um processo interno. Então, o que as empresas poderiam fazer para ter colaboradores mais motivados? O primeiro passo talvez seja alinhar objetivos.
Colocar os propósitos da organização em linha com os de seus colaboradores. Isso passa por diversos processos, desde uma boa contratação (as empresas contratam mal e as pessoas escolhem mal as empresas onde vão trabalhar) até conhecer os objetivos pessoais dos colaboradores (a portaria não é um portal mágico que faz com que as questões pessoais fiquem do outro lado da rua).
Pessoas que se realizam pessoalmente em sua atividade são naturalmente motivadas. No outro extremo estão aquelas que só suportam o emprego porque precisam do salário no final do mês.
Segundo pesquisa feita com 60 mil participantes, o que mais motiva as pessoas é o desafio, seguido de realização pessoal e satisfação. O salário está num humilde 8º lugar.
Estar ciente disto é o primeiro passo para se criar as condições para uma equipe motivada.
WAGNER MUNHÊ é empresário, consultor e artista plástico em Londrina


