Ao ler o artigo da dr. Maria Stela Lessa Paganelli sábado último neste espaço, pude concluir quão raro os leitores podem apreciar, com especial clareza, uma avaliação conceituada e tão didaticamente elaborada, o que com certeza foi esclarecedor para todos.
Tomo a liberdade de referenciar alguns tópicos que, embora verdadeiros teoricamente, têm origem na própria relação trabalho x sistema. Exatamente no ano de 1986, tive a oportunidade de, por decreto do então presidente da República, José Sarney, assumir a presidência do Conselho Comunitário do extinto Instituto Nacional de Assistência Médica, que por ter sido decretado, o que havia de comum era o sentimento de conquistar a dignidade do serviço médico e também defender os cidadãos de abusos cometidos por profissionais e prestadores naquele período de transição entre o modelo antigo e a proposta de descentralizar o gerenciamento dos serviços.
Confesso que nós, militantes e defensores do atual modelo, éramos incansáveis nos debates, nas reuniões intermináveis e na troca de escaramuça, como vimos citados pela nossa presidente do Conselho Estadual de Saúde. É lamentável constatar que após 20 anos ainda usamos os mesmos argumentos para justificar o despreparo da militância e a ausência do Estado, no cumprimento daquele que foi, e acredito ser o modelo ideal de assistência médica.
Se os médicos têm culpa? Em parte sim. Não pelo caos do momento, mas por terem sido omissos naquele momento importante do debate em que o sistema era implantado e que a Lei Orgânica da saúde era publicada no então Governo Collor. Eu me pergunto: onde estavam os milhares de profissionais médicos, constantemente convidados para dar a sua contribuição, visto que a assistência médica é por eles realizada?
Confesso doutora Maria Stela, que ouvia um ou outro médico, daqueles de carreira no serviço público federal e estadual, alardearem que tudo o que era proposto terminaria em caos no sistema. Comprovadamente, eles estavam certos, não por eles, nem por nós, nós não erramos.
O que nos falta é a humildade de corrigir nossos erros e nos unirmos para restaurar o que pode ser reconstituído através da avaliação dos nossos erros e disposição para reconfigurar o atual modelo utilizando-se novas tecnologias de organização social, comunitária e profissional .
RAQUEL FERREIRA BASSETTO é presidente do Conselho Comunitário Feminino de Londrina

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