''Um povo sem memória é um povo sem história'', disse um certo autor. Isto significa que, mesmo com todas as fontes, documentação, recursos orais e bibliográficos, dentre outros, a história não deve prescindir da memória, enquanto referência identitária, posto que esta configura a própria vida humana no tempo, posteriormente retratada pela história.
Parece-me que o ano eleitoral é um período em que, como tantas vezes na história, a memória costuma sofrer constantes atentados. Um dos atentados mais graves é a ''amnésia'' coletiva, que leva a população ao esquecimento de episódios políticos tão nevrálgicos outrora vivenciados. Os grandes protagonistas destes ''atentados'' à memória coletiva são os próprios ''políticos''. Não estou me referindo a uma ''vala comum'', onde se insere toda a classe política, mas me reporto a uma categoria política específica, que aqui decidi intitular ''prometeu desacorrentado''.
''Prometeu desacorrentado'' é uma versão satirizada e re-significada da tragédia grega (escrita entre 462 e 452 a.C.), cuja autoria é atribuída ao poeta grego Ésquilo, que se chama Prometeu Acorrentado. Apesar de também ser uma ''tragédia'', o cenário político que aqui vislumbramos não se trata de ficção; tão pouco se passa na Grécia Antiga; mas é uma representação da realidade política nacional, e também local. Quero falar um pouco sobre o nosso ''Prometeu''. Trata-se de um político corrupto, desleal, populista, demagogo, aclamado pelas massas mais humildes (o chamado ''povão''), e abominado pela elite intelectual ''mais abastada'', sendo que parte dela e de todo o ''resto'', está muito mais preocupada com a conservação de seus privilégios (como é o caso da classe média), mesmo que isto signifique render-se às fascinantes promessas de ''Prometeu'' .
Como cidadão, não posso deixar de me indignar com a prática de políticos como ''Prometeu'', para quem muito interessa a manutenção da ignorância e do aparente disparate de memória de nosso povo sofrido e caluniado. ''Prometeu'' se aproveita disso e promete continuar a realizar as obras faraônicas as quais, num passado não muito distante, mas que parece escapar à lembrança de seus fiéis eleitores, foram ''interrompidas'' sob ''falsas acusações'' de seus opositores, assim alega ele. ''Prometeu'' é um legítimo representante da perpétua corja de assassinos da justiça e da ética, que grassam no cenário fétido e podre da política brasileira desde seus primórdios.
E o que fazer então, visto que nem a própria Justiça deste país consegue acorrentar devassos como ''Prometeu'', que, assim, pode prosseguir gozando dos direitos civis e políticos como qualquer cidadão que se preze, usando e abusando da prerrogativa de prometer e ludibriar as pessoas? Melhor que a ''justiça'' parcial deste país, é o ''desacorrentar'' de nossas consciências e o uso correto do voto, como forma inequívoca de dar um basta aos ''Prometeus'' de nosso país, acorrentando-os pela força da democracia e varrendo-os de vez de cena.

JONATHAN MENEZES é estudante de Teologia em Londrina e membro do Movimento Evangélico Progressista (MEP)

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