Vereadores da Câmara de Londrina apresentaram nas duas útimas legislaturas (a atual e a anterior) episódios que desgastaram a instituição e envergonharam a cidade. Sem generalizar, pois em ambas legislaturas atuaram parlamentares de reputação ilibada, mas foram a minoria. Os flagrantes de corrupção, as denúncias de negociatas para atender interesses particulares e outras irregularidades impingiram uma imagem negativa à nossa casa legislativa. Poderia ser diferente, se os vereadores de boa conduta não se omitissem no momento que precisassem investigar com maior profundidade os seus pares, excluindo os membros nocivos ao grupo. Ao contrário, preferiram a brandura de uma simples advertência, e às vezes nem isso, vergando-se ao danoso corporativismo. Portanto, também são culpados pela desconfortável reputação da instituição.
Registraram-se fatos absurdos, verdadeiros disparates, como o caso do vereador que saiu da cadeia e foi presidir a Comissão de Ética, juntamente com outro parlamentar eivado por denúncias de corrupção em atividades públicas passadas. Uma situação impensável e inacreditável. Outro permaneceu durante 53 dias preso e, sem explicação plausível, reassumiu sua função normalmente. São situações que causam muita indignação às pessoas sérias. Torna-se necessário acabar com essa ideia reinante na cidade que, subornando vereadores, pode se mudar a lei de zoneamento ''ao gosto do freguês''.
A demora para aprovar o Plano Diretor beneficia os espertos que criam dificuldades e vender facilidades. A Lei da Muralha foi um notório exemplo disso. De positivo, deve ser creditada à instituição a cassação de um prefeito, após muita pressão da sociedade civil organizada.
Aproxima-se mais um pleito municipal e renova-se a esperança de que a nossa Câmara alcance uma melhor qualidade na composição do seu quadro. A depuração do Legislativo é o grande anseio do eleitor consciente. Porém, a cada eleição, esse desejo se esvai, ficando a decepção, pois os resultados práticos têm sido frustrantes.
Os pleitos municipais têm caracteristicas especiais. A campanha se desenvolve com uma proximidade bem estreita entre o candidato e o eleitor. De igual forma que é salutar por um lado, pois facilita o contato direto, por outro propicia uma intensa promiscuidade nessa relação, justamente pelas oportunidades dos candidatos explorarem a fragilidade econômica e o baixo nível intelectual de uma enorme parcela do eleitorado. E, nesse clima, o jogo sujo, a sordidez e o logro têm campo fértil para os mal-intencionados agirem sem limites: os mais explícitos favores como pagamento de conta de água e luz, promessas de empregos e outras inexequíveis, aliciamento de líderes de bairros para churrascos, doação de materiais esportivos e até compra de votos disfarçada de contratação de cabos eleitorais, etc.
No horário político de rádio e TV estamos assistindo à apresentação dos pretendentes a uma vaga na Câmara. Com raras exceções, o currículo, a postura e as mensagens transmitidas pelos candidatos não empolgam o eleitor. Existe de tudo: poucas propostas interessantes, muita superficiabilidade, o surrado blablablá ''mais educação, saúde e segurança'', a manjada promessa de transparência e honestidade (como se isso fosse um favor e não uma obrigação), um baixo nivel intelectual, uma pitada de palhaçada (que mensagem transmite um candidato que nada fala, só toca um berrante?) e a apresentação de muitos pelos mais extravagantes e depreciativos apelidos. Convenhamos, isso torna-se motivo de chacota, desvalorizando o candidato e a sua proposta.
O salto de qualidade que a Câmara tanto necessita e que ambicionamos ainda é uma incerteza. A excelência do quadro de vereadores é um objetivo que deve continuar sendo buscado. Enquanto não for melhorada a qualidade do voto, por meio da educação, de um melhor grau de politização da população e do exercício consciente da cidadania, dificilmente conquistaremos os avanços pretendidos. Por ora, fica a expectativa de que, pelo menos, vamos tentar identificar e eleger pessoas honestas para Londrina não sofrer mais.

LUDINEI PICELLI é administrador de empresas em Londrina

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