Mais massa, mais mãos
Vivemos um momento excepcional na construção civil em Londrina. O ambiente remete à década de 1980, que a projetou como a cidade que mais construía edifícios em todo o país em relação à sua população. O Sinduscon, que reúne as empresas construtoras, informou há poucos dias que a área construída - ou projetada - cresceu 155% em um ano. Em metros quadrados, significa que saltamos de 880 mil para 2,2 milhões. Na região Sul, só Curitiba compete com Londrina.
O crescimento médio no volume de investimentos, projetado pelo Sinduscon para os próximos 15 anos, é de 6% a 7%. Para nós, dirigentes dos trabalhadores da construção civil, não poderia haver panorama mais promissor. Isto explica, em parte, os êxitos que tivemos este ano na negociação salarial. O reajuste que obtivemos é o dobro da inflação e o maior do Sul e Sudeste do País. Conquistamos também um vale compras, no valor de meio salário mínimo, cesta natalina e o fornecimento de café da manhã, a partir de janeiro.
O êxito se deve também, é preciso reconhecer, à organização sindical. A construção civil cresce porque dispõe de mão de obra qualificada. Que é numerosa, e está no limite de sua capacidade. O emprego é pleno. Estimamos em dez mil o número de trabalhadores formais da construção civil em Londrina e em cinco mil os informais. O panorama é otimista. Mas exige que seja visualizado com prudência. Vivemos uma crise econômica global, que está refletindo no Brasil. E o Brasil, como demonstra o último relatório do PIB, dá sinais de ter esgotado seus recursos para enfrentar a crise. Somos o país que menos cresce entre os emergentes do chamado BRIC - Brasil, Rússia, Índia e China.
O crédito para a construção civil não pode sofrer restrições. E os programas habitacionais do governo, idem. Que se retome, o quanto antes, o programa Minha Casa Minha Vida, que não contratou nenhuma obra este ano em Londrina. No que depender dos trabalhadores, não falta e não faltará disposição para por a mão na massa. E quanto mais massa, mais mãos.
DENÍLSON PESTANA DA COSTA é presidente do Conselho do Emprego e Trabalho do Paraná e do Sintracom Londrina


Foi a Coca-Cola que celebrizou Noel
A veneração à figura de Papai-Noel não chega a ser paganismo, mas é bem parecido. Porque o Velhinho está mais cotado no Natal que o Menino Jesus. Ele não tem culpa se o cultuam tanto, mas convenhamos que o real sentido natalino perde relevância, a não ser nas igrejas e nas famílias mais espiritualizadas. Na verdade, Jesus nem nasceu em dezembro, mas em 21 de agosto, e não à noite mas ao meio-dia, e 7 anos antes do início do calendário atual. (Ele viveu, portanto, cerca de 40 anos).
Foram os romanos devotos do deus Mitra que instituíram o dia 25 de dezembro, no ano de 354, para coincidir com as celebrações em homenagem àquele que denominavam o Rei Sol, ou o Sol Invencível. A Jesus isso importa pouco. O que ele deseja é que sigamos os seus ensinamentos e firmemos a convicção em nossa filiação ao Pai Celestial. Ele veio para revelar Deus aos homens e dizer que somos todos irmãos universais, ele incluído.
O Noel vestido de vermelho foi um invento do cartunista alemão Thomas Nast, em 1886, mas foi a Coca-Cola que lhe deu popularidade. Noel - ou Santa Claus, que enchia um saco de presentes e os distribuia às crianças, na Lapônia - resultou personagem da Coca-Cola em célebre campanha publicitária de 1931, nos EUA e no Canadá, e ganhou então popularidade mundial. Naqueles dois países o chamam Santa Claus; no Japão, Santa Kurosu; na Alemanha, Nikolaus; no Chile, Viejito Pascuero.
As famílias já pouco ensinam aos filhos sobre a importância do sublime nascimento de Belém, e assim será mais difícil fazê-los interessar-se pelos ensinamentos e exemplos do divino rabi. Na ceia natalina poucos fazem orações de agradecimento - ao menos pela comida - e de louvor ao Menino Jesus. Os evangélicos, os espíritas e algumas religiões orientais no Brasil adotam esse louvável costume, os católicos menos. Sei por convivência. Deveríamos agradecer todos os dias pelo alimento, por quem os cultivou e preparou, por todas as coisas e pelo dom da vida, que são dádivas de Deus.
WALMOR MACARINI é jornalista em Londrina

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