Todos somos filhos do desejo dos nossos pais. Produzimos crianças em série como uma linha de montagem e não podemos negar que fazemos parte de um grande sistema divino de cartas portadoras de gens reprodutivos.
Mas, além da manutenção da espécie, o sexo tem uma função aproximadora, comunicadora e funciona como fonte inesgotável, perene de prazer.
As mães, jovem, recém-casada, climatérica ou mesmo idosa, encontram na sexualidade (forma de comunicação) ou na genitalidade uma sublime e intensa razão para viver, e um lenitivo para as áridas e espinhosas estradas da vida. É como uma fonte cristalina que surge de quando em quando para dessedentar e abastecer o andarilho.
Maridos, vocês se lembram daquela princesa encantadora que entre sorrisos, flores, véus e grinaldas, um dia disse aquele doce sim?
Será que o que elas querem de ''lembrança'' é um liquidificador, um ferro de passar ou uma geladeira? Pode ser que tudo isto seja importante no lar, mas é realmente um eletrodoméstico o que iria de encontro aos seus desejos e anseios mais primitivos?
Qual a posição que a sua esposa ocupa na sua vida? Se for de empregada: dê-lhe uma vassoura; se for de namorada, amante: dê-lhe o seu afeto, seu amor, seu desejo, pois aquela linda jovem do passado continua viva no corpo da mãe. A mesma mãe que dá o peito ao filho espera ser desejada, afagada e saciada por um marido sequioso e sedento de amor.
A esposa é a verdadeira fonte de prazer e não a ''outra'' do imaginário de uma sociedade machista e rasa.
Lembrem-se: o desejo não morre jamais, nasce no parto e se perpetua nas gerações futuras.
CALVINO COUTINHO FERNANDES é sexólogo em Londrina e autor do livro ''O cristão e o prazer sexual''

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