ESPAÇO ABERTO - Lula: Collor 2, a vingança?
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terça-feira, 09 de dezembro de 2003
Mário Eugênio Saturno 
Estou cada vez mais assustado com Lula. Está cada vez mais parecido com o Fernando Collor de Mello. Depois de passar uma década fazendo campanha para o Lula, não só não consegui votar nele, no ano passado, como fiz campanha contra. Em maio do ano passado, ainda comungando da ideologia petista, lancei um manifesto, na forma de artigo, chamado ''Uma ideologia para o Lula'' onde lembrava e cobrava a luta histórica do PT contra o autoritarismo, a corrupção e o nepotismo, a defesa da democracia, principalmente a interna, e da transparência administrativa. Lembram? O PT defendia isso mesmo.
Alertei que o poder corrompe, conforme descrito no livro do George Orwell ''A Revolução dos Bichos'', aos poucos, lenta e gradualmente. Quando se percebe, o ''companheiro'' petista do Executivo está pior que os da direita.
Lula (e o PT) passou uma década lutando contra a ostentação e desperdício dos governantes e o loteamento de cargos. Lutou pela transparência, por um imposto de renda justo, contra a CPMF, por um salário mínimo de US$ 100, pelos direitos dos servidores públicos (até então a riqueza da nação), contra a política neoliberal, os lucros extorsivos dos bancos e empresas que exploram as concessões públicas, o FMI e os altos juros que dilapidam o patrimônio nacional. Criticavam-se as viagens e a propaganda do FHC.
Porém, quando chegou lá, após um choro comovente. Começou a imitar o Collor. Fez o oposto do que tanto defendeu e pregou. Aprofundou o arrocho fiscal, aumentou os juros, aplicou a política neoliberal, antes nefasta, agora ideal. Não aumentou nem o salário mínimo nem os salários dos funcionários públicos, então com sete anos de jejum, nem sequer recuperou a inflação do ano. Aumentou o desemprego, que bateu recorde. Aprofundou a recessão, pela primeira vez setembro ficou negativo. Os preços, principalmente dos serviços públicos, subiram cerca de 30%. A inflação come o salário progressivamente. A situação piorou. Como na época do Collor.
O empreguismo petista foi denunciando pela imprensa. Nunca se viu tamanha sanha por cargos para os companheiros. Tal qual Collor que se elegeu para combater os ''marajás'' do serviço público e acabou contribuindo para a instalação do maior esquema de corrupção que esta Nação já viu. Até agora...
Collor enxugou tanto o governo que se chegou a reduzir o expediente em muitas instituições por não ter o que fazer e para economizar energia elétrica. O Lula reduziu tanto o orçamento que muitas obras e projetos estão parando. Neste ano, muitos cientistas não puderam participar de congressos e simpósios para economizar em passagens e diárias.
O espetáculo do crescimento vai esperar. O país não deve crescer. É o PIB zero do Lula. E isso ocorreu pela última vez em 1992 com o Collor. Espetáculo fica por conta da propaganda, como o Fome Zero que perde 60% dos recursos na burocracia (o Lula falou que faria de um real dois). Fica para estrangeiro ver. Apesar dos erros evidentes desde o primeiro momento, a popularidade do presidente continua em alta. Tal qual o Collor. É a história do marido traído... Só que quem paga a conta do motel somos nós.
MÁRIO EUGÊNIO SATURNO é tecnologista sênior da divisão de Sistemas Espaciais do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e professor do Instituto Municipal de Ensino Superior de Catanduva


