Nos países de primeiro mundo o lixo urbano começa a ser reciclado nas escolas, com a formação tanto dos alunos quanto dos professores e funcionários No Brasil, ainda de forma modesta, as famílias são orientadas a conhecer as leis de suas cidades Além de fiscalizarem a designação do descarte, os governos não permitem a produção de certos resíduos, se não houver o retorno para quem os gerou

O lixo residencial requer cuidados especiais Ele contém uma diversidade de materiais como chumbo das baterias, isopor, fraldas de bebê usadas, preservativos, absorventes, curativos descartados, giletes contaminadas e outros rejeitos

Nas sociedades primitivas não havia lixeiras nem tantos objetos inorgânicos, que simbolizam a existência humana no mundo moderno Por isso, agora temos a coleta seletiva intensificada com o início das atividades do Centro de Tratamento de Resíduos de Londrina

Em Londrina e na maioria das cidades do Paraná inventaram, sem qualquer regra ou padrão de instalação, as solitárias e pouco utilizadas lixeiras residenciais nas calçadas Porém, ao invés delas serem fixadas em local correto e seguro, são colocadas de forma equivocada representando um risco à vida humana

No aspecto de saúde pública, segurança, poluição visual e ambiental, o correto é a lixeira ser fixada dentro do alinhamento predial Podemos posicioná-la próximo aos padrões de água e luz, numa altura de um metro e meio, com uma abertura na grade ou no muro, que permita ao lixeiro apanhá-la dentro do nosso quintal e dispensá-la no caminhão coletor Ela deve estar distante do chão para evitar que algum animal rasgue o saco de lixo Em regiões comerciais, as lixeiras devem ser pequenas e baixas e para variados tipos de materiais descartados

Quando fixadas próximo ao meio-fio e fora de alinhamento predial, as lixeiras representam perigo Algumas delas são colocadas no muro pelo lado de fora, exatamente no passeio público, às vezes na altura dos quadris, outras na altura do peito e outras ainda na altura da cabeça de uma pessoa de estatura mediana De vez em quando, ficamos sabendo de alguém que se machucou ao trombar com uma dessas peças do mobiliário urbano tão destoante da beleza do caminhar das pessoas num passeio público

Uma lixeira deve ser considerada um problema de saúde pública, de acessibilidade e, principalmente, de falta de orientação e instrução dos munícipes Temos a coleta seletiva e ela tem dia e hora para recolher o lixo e nós, seres racionais, não queremos ver alguém se machucar na nossa lixeira contaminada e nem expor nossa intimidade aos outros

Imaginem almoçar num restaurante tendo como cenário uma bela e formosa lixeirinha na rua? Quem tem um belo carro não quer que sua porta seja riscada quando estaciona perto de uma lixeira Temos que cuidar para não nos sujarmos ou nos ferirmos ou, então, temos que fazer uma exibição de contorcionismo para escapar do chorume O pior é que as maiores vítimas são as crianças, os idosos e as pessoas com deficiência

Resolver esse problema é simples: basta alterar nossas ações individuais para mudar a cultura e ganharmos um presente e um futuro mais limpo e belo, com menos barreiras arquitetônicas e uma vida com qualidade

JOSÉ GIULIANGELI DE CASTRO é secretário especial de Acessibilidade e da Pessoa com Deficiência de Londrina



■ Os ar­ti­gos de­vem con­ter da­dos do au­tor e ter no má­xi­mo 3.800 ca­rac­te­res (55 li­nhas) e no mí­ni­mo 1.600 ca­rac­te­res (25 li­nhas).
Os ar­ti­gos pu­bli­ca­dos não re­fle­tem ne­ces­sa­ria­men­te a opi­nião do jor­nal. E-­mail: opi­niao@fo­lha­de­lon­dri­na.com.br

mockup