O Brasil almeja avançar para consolidar a sua dimensão política com as reformas da Previdência e Tributária. As discussões sobre os novos rumos da economia não devem cessar, portanto. O presente está encalhado na corrupção e com a falta de transparência na política administrativa. Dessa forma, o futuro corre risco pela falta de planejamento para milhares de brasileiros, agregando assim, mais pobreza nos quadros sociais.
Durante décadas, essas desigualdades se multiplicaram e provocaram uma sobrevivência desastrosa à violência, ao desemprego, às favelas urbanas, etc. Foram responsáveis pelo ''jeitinho brasileiro'', hoje em desuso porque estamos assumindo o lugar da ''eguinha pocotó'' e, ainda, sem lenço e sem documento. Caricaturas assim demonstram a desvalorização do povo brasileiro em que o dito popular afirma: ''Sem um gato pra puxar pelo rabo''. A pobreza crescente atordoa o dia-a-dia das pessoas.
O quadro da política econômica reflete, em parte, a mania de grandeza dos governantes brasileiros. Querem iniciar as reformas da Previdência e Tributária já com índices elevados. Confundir desenvolvimento social com desenvolvimento da pobreza é lamentável. Onerar ainda mais a renda dos trabalhadores ativos e inativos não irá garantir melhor qualidade de vida à população.
O País é responsável por uma das mais pesadas cobranças tributárias do mundo. Motivo suficiente para não iniciar essas reformas com o mesmo glamour da ''Belle Époque'', tempos em que os barões da sociedade viajavam à Europa em busca dos prazeres materiais e traziam novidades referentes aos costumes, à moda, à arte, à música, copiando e reproduzindo sempre, inclusive as altas taxas de impostos que financiavam as idas e vindas.
A conscientização da população está cada vez mais escassa. São pessoas lutando apenas pela sobrevivência individual e, pior ainda, incapazes de enxergar o potencial de uma sociedade democrática. Os índices de investimentos em prioridades com educação, saúde e moradia foram transformados em artigos de luxo. Por outro lado, o preço da sobrevivência continua exorbitante. Milhares de pessoas não comem, enquanto outros almejam apenas uma casa para morar. Isso é pouco, o empobrecimento é contínuo e gradativo. O desenvolvimento requer preparo da população, e não apenas o privilégio de poucos.
Um Estado que não investir em seu povo não conseguirá direcionar uma democracia viável, com direitos adquiridos que garantam a participação social. Portanto, é preciso salvaguardar os interesses materiais visando, porém, os investimentos futuros, ou seja, acreditar que o desenvolvimento precisa existir na prática. Não podemos continuar caboclos querendo ser ingleses.
EDUARDO CLEMENTINO DE MIRANDA é professor em Londrina

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