Espaço Aberto - Limpeza étnica
Primeiro-ministro israelense semeia a destruição em Gaza
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segunda-feira, 04 de agosto de 2025
Primeiro-ministro israelense semeia a destruição em Gaza

Onde está Deus? Esta é a terceira vez que abordo o assunto. Fá-lo-ia dez vezes, se necessário fosse! A pergunta que saiu dos lábios de Bento XVI e Francisco quando visitaram o campo de extermínio Auschwitz-Birkenau, não é de sua autoria; é bem anterior! “Onde estava Deus”?
Essa pergunta já foi inclusive tema da tese de doutorado de um brasileiro radicado em Telavive. É a pergunta que não quer calar! Que nos interpela mais a nós, do que ao próprio Deus! Onde estava Deus, quando seis milhões de Judeus eram exterminados? A resposta veio de um dos papas: “estava aqui”!
O teólogo protestante Moltmann, um dos mais importantes pensadores cristãos do século XX, autor da famosa “Teologia da Esperança”, descobriu a fé no campo de batalha na Segunda Grande Guerra, quando viu morrer um amigo ao seu lado e perguntou: “Meu Deus, onde estás?” Tornou-se crente a partir dessa pergunta.
Quando lhe perguntaram se Deus morreu no holocausto ele respondeu: “Não. Mas Deus revelou-se-me na paixão de Jesus Cristo, quando me senti abandonado. Descobri Cristo como meu irmão, que partilhou o meu abandono, que morreu gritando “Meu Deus, porque me abandonaste?”.
Deus estava em Auschwitz! Deus não tem lado. E se o tem, é sempre do lado de quem sofre e de quem morre! De quem é vítima! Lá, na Alemanha nazista, Ele estava ao lado dos judeus.
Mas eis que hoje vivemos uma outra tragédia. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, o homem que lidera o país há mais tempo desde a criação do Estado de Israel em 1948, promove o maior genocídio dos últimos tempos. Justificando a defesa do Estado, vingando-se do terrível atentado que matou 1.400 pessoas e fez 240 reféns, ele semeia um rastro de destruição, reduzindo Gaza a escombros, para depois efetuar uma limpeza étnica. Aliás, dito por membros do seu Governo, sem nenhum pudor!
Os palestinos, ou morrem ou procuram um outro país para viver! Eis a “solução final” de Netanyahu! Quem não sucumbe pela ação letal dos mísseis, cai vitimado pela fome, como arma de guerra! O mundo vê. O mundo sabe. O mundo está inerte.
Israel com o apoio dos EUA que lhe disponibilizam as armas necessárias, mancha assim a sua linda história. De agredido, passa a agressor; de povo alvo de tentativas de extinção, visa agora extinguir! Onde está Deus? Eis de novo a pergunta que não cala! O Deus do “olho por olho dente por dente” do Antigo Testamento abominaria o que fosse além...o Deus “de todos”, condena qualquer agressão!
Em Gaza, Deus está com quem desfalece e chora seus entes queridos. Em Israel, está com quem lamenta a morte e o sequestro. Deus está lá! Mas onde estão os homens?! Estão rasgando a história e repetindo as atrocidades! Estão depondo contra o gênero humano!
O que se passa hoje em Gaza é abominável e deprimente. Ali, um povo tem que ser eliminado para se acabar com um grupo terrorista. Em outro momento histórico, sob Hitler, um povo precisava desaparecer para salvar a humanidade!
Já escrevi também que os Organismos Internacionais criados no pós-guerra atravessam uma grande crise. Como é possível que poucos países ainda tenham poder de veto e inviabilizem determinadas ações? Já passou da hora de uma reformulação total desses Organismos, se quisermos de fato que fomentem e garantam a paz.
A invasão da Ucrânia abriu um precedente perigosíssimo para o mundo: qualquer país em qualquer circunstância poderá ultrajar a soberania de outra nação! Outrossim, a resposta desproporcional de Israel ao ataque terrorista evidenciando escopos escusos, tem tudo para mergulhar o Oriente Médio num beco sem saída.
O reconhecimento da Palestina como Estado é necessário e urgente. A França acabou de o fazer. Outros países se seguirão. O respeito pela história deverá impor a convivência de dois estados independentes e soberanos. Só assim haverá paz.
Pe.Manuel Joaquim R. dos Santos
Arquidiocese de Londrina




