Pode-se distinguir dois tipos de aproveitamento possíveis: a reutilização e a reciclagem. Na reutilização, o produto é aproveitado novamente em um segundo ciclo de uso. Na reciclagem, um novo produto surge a partir da transformação do original. Existe uma capacidade de a natureza reciclar materiais. A poluição e a contaminação são as consequências da ultrapassagem dessa capacidade de metabolismo natural. É nesse contexto que surge a reciclagem. Reciclar materiais quer dizer aproveitar o lixo, tornando-o novamente útil, objetivando a redução da quantidade de materiais produzidos e a diminuição da extração e do processamento de matérias-primas virgens.
As visões sobre a reciclagem de materiais são conflitantes. Para alguns autores, a reciclagem aparece como uma forma de solucionar o problema da poluição ambiental. Em contrapartida, na visão de outros a reciclagem de materiais aparece como uma nova oportunidade para ''reciclar o capitalismo'', resolvendo então o problema da degradação ambiental. Apesar de sua importância para o meio ambiente, a reciclagem de materiais encontra alguns limites, os quais impedem o desenvolvimento de todo o seu potencial.
O problema do lixo reside em alguns aspectos. Tem havido um aumento da quantidade de não recicláveis que precisam de uma destinação final, ou seja, o descarte em depósitos ou a incineração. Quanto à depositação, há o rápido esgotamento dos depósitos próximos à cidade e a inviabilidade econômica de transportá-lo a longas distâncias. Além do mais, ninguém gostaria de ter um depósito de lixo perto de sua residência. A incineração, por sua vez, emite fumaças e gases, e pode gerar ainda mais problemas ambientais.
Geralmente, o produto resultante de materiais reprocessados apresenta qualidade inferior ao que não passou por esse processo, sendo necessário utilizar mais recursos humanos e outros materiais. Ademais, os programas comunitários relativos ao lixo caseiro, que incentivam a seleção ou pré-reciclagem dos materiais, implicam em aumento do trabalho doméstico, ou seja, resulta na diminuição do tempo livre para si próprio e em trabalho extra, que não é pago. O fato desse trabalho não ser pago já foi alvo de críticas e de recusa de adesão a tais programas por parte de alguns grupos feministas alemães.
Outro limite importante refere-se ao baixo preço das matérias-primas. Em muitos casos fica mais em conta produzir utilizando matérias-primas novas do que usar produtos reciclados. Isso se deve ao fato de se empregar à matéria-prima apenas os valores de extração dos recursos naturais, deixando de lado os valores relativos à natureza e à reposição da matéria-prima, se é que é possível.
Alguns cientistas apontam as inovações tecnológicas como solução para o problema da escassez de recursos naturais. Todavia, o otimismo tecnológico cai por terra ao se deparar com o aumento do consumo, ocasionado pela inovação ou pela queda dos preços dos produtos, diante da diminuição dos recursos utilizados. Por exemplo, se uma fábrica passar a produzir dois veículos com a mesma quantidade de aço que era utilizada para produzir apenas um, basta-se produzir o dobro de automóveis que o ganho no consumo de materiais será nulo.
A ideia de uma economia nacional fundamentada apenas na reciclagem de materiais revela-se inconsistente. A porcentagem de materiais reciclados, diante do total de lixo produzido, ainda é muito baixa. Caso se mantenha o modo de vida do sistema capitalista, com alta produção e consumo, a reciclagem de materiais não será a solução da tendência à escassez de recursos. Entretanto, isso não tira sua importância. Aliada a outras ações, como por exemplo, a diminuição do consumo e do desperdício, principalmente dos países mais ricos, a reciclagem ajuda, mas não soluciona os problemas ambientais.

IVAN CÉSAR MARCONI é estudante de Administração na Universidade Estadual de Londrina

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