ESPAÇO ABERTO - Lição de democracia
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 20 de janeiro de 2004
João Ivo Caleffi 
A prévia que indicou meu nome como candidato do PT à sucessão municipal nas eleições de outubro próximo é, antes de qualquer juízo de valor, uma autêntica lição de democracia. Em que outro partido político seria possível um secretário municipal disputar uma pré-candidatura com o prefeito? Isso foi possível no PT de Maringá porque este é um partido sem caciques, sem cláusula de barreira. As candidaturas não são impostas, mas determinadas pela lógica da democracia partidária, que elege o voto secreto como mecanismo indispensável da participação popular na construção de uma sociedade pluralista.
Claro que há uma orientação nacional para que os diretórios municipais priorizem o consenso, se possível em torno dos nomes de maior visibilidade nos respectivos municípios e que por isso mesmo estejam em melhores condições de obter o aval da população para a continuidade de projetos de governos populares bem-sucedidos. Seria o caso de Maringá. Mas como consenso se alcança e não se impõe, preferi correr os riscos inerentes a qualquer disputa. Não me arrependi. Até porque o saldo foi altamente positivo, na medida em que o PT de Maringá pôde mostrar para a sociedade local que, para nós petistas, democracia não é apenas figura de retórica.
A disputa interna deixou o PT ainda mais unido em torno do projeto de governo
que a cidade elegeu com mais de 100 mil votos no ano 2000. Terminadas as prévias, não há vencedores e nem vencidos. O único vencedor foi o partido que vai para o embate eleitoral de outubro com a certeza de que é muito mais forte do que suas dificuldades. E dessa certeza, nasce uma nova convicção: a de que cabe a nós, petistas, lutarmos com todas as nossas forças para a conquista de um novo mandato, tendo em vista a responsabilidade histórica que temos de consolidar o projeto da Maringá do futuro.
Cada vez que colocamos um tijolo a mais no alicerce dessa edificação que estamos fazendo em Maringá, lembro-me do exemplo maravilhoso de Salvador Allende. Apesar do seu curto período no governo chileno, ele fez reformas tão profundas, que nem o neoliberalismo e nem a ditadura Pinochet conseguiram apagar. Passados 30 anos, o Chile ainda é uma síntese do processo de inclusão social que a esquerda latino-americana busca não é de hoje.
Queremos que Maringá seja uma referência nacional de município que respeita seus munícipes, de gestão pública que prioriza a participação popular, que busca incessantemente a inclusão social e que trabalha em conjunto com a sociedade civil no sentido de construir um futuro melhor para todos os homens e mulheres de boa vontade.
Com as prévias domingo realizadas, queremos dizer claramente à sociedade maringaense que vamos para a disputa eleitoral dispostos ao debate aberto e à discussão qualificada e respeitosa sobre os problemas de Maringá. O projeto do governo popular para 2005/2008 é conhecido da população. O que amplia num eventual segundo mandato é a busca da consolidação de um modelo de gestão pública fundado na participação popular, na ética e no respeito às diferenças.
JOÃO IVO CALEFFI é prefeito de Maringá


