ESPAÇO ABERTO - Lembranças do meu avô Octávio Cesário
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 04 de dezembro de 2003
Ivan Maluf Junior 
O dia 23 de novembro certamente será um marco na vida das pessoas que tiveram a oportunidade de conhecer Octávio Cesário Pereira Júnior. Sem dúvida nada mais será igual sem este homem que Deus me presenteou como sendo meu avô. Octávio, o homem de carisma inigualável, fato observado claramente quando ele me chamava para caminhar pela praia. Foram várias tentativas frustradas, pois a cada dois passos dados surgiam novos conhecidos (normalmente novos amigos) que ficavam horas a fio conversando. Um dia, alguns anos atrás, cheguei a sugerir para o vovô já caminhar pela praia com o braço erguido acenando, assim não teria o trabalho de erguê-lo a toda hora, já que conhecia todo mundo.
Meu avô foi um homem de personalidade forte. Possuía uma escala de valores que conseguiu transmitir para a família toda (ou quase toda). Não é qualquer homem que consegue educar três filhas de tal maneira que duas delas tenham doutorado e a outra está concluindo sua tese final. Além de um filho que seguiu a profissão do pai e era motivo de muito orgulho para ele. Como um político e advogado, tão atarefado, como ele conseguiu dar todo o suporte para a família eu não sei, mas sentia isso todas as vezes que nos encontrávamos. Ele sempre demonstrou muita alegria em estar na presença dos filhos, netos, genros e nora.
Quando disse que este dia 23 de novembro de 2003 seria um marco em nossas vidas (para os familiares e amigos), estava querendo dizer que perdemos o nosso guru. O sábio que nos dava conselhos em todos os momentos e em qualquer atividade a ser exercida. Somente um homem de tamanha inteligência, como Octávio, teria conseguido conquistar tudo isso. Peça fundamental na família e peça fundamental na sociedade.
Não é fácil escrever o que esse homem significou para mim, mas o que me conforta é que eu aproveitei a oportunidade que Deus me deu e absorvi tudo o que ele me falou nas longas conversas que varavam a madrugada. E o principal ensinamento dele foi, como ele mesmo dizia, ''a família Deus dá, os amigos você escolhe'', sempre enfatizando que tudo passa, amizade, dinheiro, etc. E no final quem vai estar a teu lado é a família.
Nada será igual sem o humor do vovô para animar as festas. E as refeições em família não mais serão as mesmas sem o vovô para fazer mil elogios para a comida, a cada garfada. Dizem que um grande homem é visto pelas coisas simples, como um bom pai, bom marido, etc. Mas qual será a classificação de Octávio Cesário, que foi excelente pai, excelente marido, excelente avô, excelente político, excelente advogado, ou seja, o homem era uma máquina, foi bom em tudo o que fez.
Foi muito mais que um grande homem. Ele soube aproveitar suas qualidades, eu posso dizer isso pois ele me confirmou: meu avô viveu 77 anos muito bem vividos. Que sirva de exemplo para nós, essa força toda que ele tinha, e vamos nos conscientizar de que pessoa igual a essa é muito rara de ser encontrada. Vamos agradecer a oportunidade de viver tão próximo de Octávio.
Para finalizar gostaria de dizer que, no mundo de hoje os adolescentes não têm ídolos igual antigamente se tinha; provavelmente haja falta de opções. Felizmente tenho meu avô como ídolo, que é um exemplo a ser seguido. Gostaria que tudo isso que escrevi fosse um exagero (assim talvez fosse mais fácil superar tamanha perda). Mas infelizmente é verdade. Ele foi tudo isso!
IVAN MALUF JUNIOR é neto de Octávio Cesário Pereira Junior e estudante de Medicina no Unicenp em Curitiba


