ESPAÇO ABERTO - Juros não baixarão com o compulsório
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 19 de agosto de 2003
Paulo Afonso Rodrigues 
O mercado tem consciência que a baixa do compulsório do depósito à vista de 60% para 45% não terá reflexo diretamente no custo financeiro pago por pessoas físicas e jurídicas. Para exemplificar, de cada R$ 100,00 depositados em conta corrente, o banco poderia emprestar anteriormente somente R$ 40,00 e, agora, poderá emprestar R$ 55,00, o que significa uma injeção considerável de recursos.
A intenção das autoridades econômicas, diga-se de passagem, está vindo um pouco tarde, pois o mercado está amplamente descapitalizado. No entanto, antes tarde do que nunca é a redução das taxas de juros.
Matematicamente o compulsório reduzido de 60% para 45% deveria representar uma baixa de 35% a 40% na taxa, pois 15% representa quase isso no aumento da carteira de empréstimo. Porém, os bancos não irão repassar esta redução porque os tomadores de recursos estão com a maioria de seus limites emprestados e, angariar novos tomadores, poderá comprometer a liquidez.
Dos 15% do compulsório, entre 5% e 6% fatalmente migrará para títulos públicos e o mercado do dólar ficará com 4% a 6%. Somente os 3% a 5% restantes estarão sendo lastreados para o mercado consumidor de recursos.
No entanto, lembro mais uma vez: economia alguma suporta custos reais de 60% a 250% ao ano, oferecendo liquidez para quem empresta. O Banco Central, liberando o compulsório, deveria fiscalizar para onde estariam indo os recursos, pois estes poderão deixar de ter a finalidade da sua liberação, que é a redução de custos, ingressando no mercado especulador de compras de papéis do governo e, inviabilizando o mercado com relação aos custos do dólar.
Os reflexos no mercado de câmbio e títulos da dívida pública serão imediatos. No entanto, o reflexo no mercado de custo financeiro dos clientes não será proporcional.
PAULO AFONSO RODRIGUES é contador e assessor financeiro em Londrina


