ESPAÇO ABERTO - Jovens e armas: quando isso vai parar?
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 18 de novembro de 2003
Lourdes Narcizo 
Mais um trágico fim de semana tivemos em Ibiporã recentemente! Mais um adolescente teve a vida ceifada pelo disparo de uma arma na periferia de nossa cidade! Ficamos estarrecidos! Procuramos saber se foi suicídio ou homicídio ou quem sabe um acidente por inabilidade no manuseio. Mas que diferença isso faz? Marlon está morto! Armas foram feitas para matar! Como milhares de outros anônimos adolescentes, ele foi retirado brutalmente do convívio da família aumentando a horrenda estatística da violência que assola a nossa cidade, a região e o país.
Com deficiência mental, tendo frequentado a Apae de Ibiporã há cerca de dez anos, Marlon pertencia a um grupo de adolescentes em situação de vulnerabilidade social. Com problemas comportamentais, sempre se evadia dos programas onde esteve inserido.
A mãe informou que ele pretendia adquirir a arma que lhe tirou a vida... Por que um jovem deseja possuir uma arma? Para que servem armas se não para matar?
Movidos pela curiosidade ou pelo fascínio, os jovens acabam tendo contato com armas, principalmente se houver uma em casa; ou talvez pela facilidade de aquisição, agravada pela tolerância instalada na sociedade.
Vivemos a relativização de valores e a banalização do crime! Seja por medo ou por preconceito, esse assunto é pouco debatido de forma sistêmica.
Não podemos mais nos calar diante dos fatos! É preciso lutar contra este estado de coisas. Não podemos ficar alheios à banalização do crime, da droga e da violência! Precisamos construir uma sociedade pacífica, retirando armas de fogo das mãos de nossas crianças e adolescentes para que suas vidas e de seus semelhantes sejam preservadas.
''Prevenção é a solução. É a única ação que trabalha na causa: a repressão já é consequência.'' Para o general Uchoa, secretário nacional antidrogas, quando esteve em recente congresso em Londrina, ''não há previsão para solucionar o problema da violência a curto prazo''.
A violência é um problema mundial. Ninguém está a salvo! Quando você menos espera acontece na sua família! Um filho morto por um disparo... um amigo dependente de drogas... e assim caminha a sociedade...
Ações de prevenção são importantíssimas. Campanhas, mobilização pela paz, tudo soma! Mas que medidas concretas as autoridades constituídas têm feito nesse sentido? É preciso desarmar a população civil, fomentando megacampanhas em prol do desarmamento para livrar a sociedade desta ameaça, e aproveitar o ensejo do Estatuto do Desarmamento em discussão no Congresso Nacional.
Alguns estados brasileiros têm dado este exemplo. Está na hora de o Paraná fazer a sua parte. É preciso instalar uma cultura de solidariedade e serenidade onde famílias não tenham que chorar perdas para as armas de fogo!
LOURDES APARECIDA DA SILVA NARCIZO é professora e vereadora em Ibiporã


