ESPAÇO ABERTO - Janilto de Andrade vs Paulo Coelho
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quinta-feira, 13 de janeiro de 2005
Walmor Macarini 
Cada momento de busca é um momento de encontro. O segredo da felicidade está em olhar todas as maravilhas do mundo. Quando se ama, as coisas fazem ainda mais sentido. Não deve haver uma razão para se amar ama-se porque se ama. O que há de errado nestas palavras? Nada de errado, apenas sabedoria. Elas estão num dos livros de Paulo Coelho, e um professor da área de letras de Pernambuco, Janilto de Andrade, declara em livro que não se lembra de ter lido besteiras semelhantes. A impresa lhe deu guarida.
Os intelectuais nunca aprovaram Paulo Coelho, não tanto pelo que ele escreve mas porque se tornou o autor mais lido da era contemporânea e está ganhando com isto muito dinheiro. Janilto nivela tudo na tábula rasa da literatura, da estética e da poética, mas PC não é literato e nem escritor no sentido clássico, porém mais próximo do obreiro, do missionário, embora talvez nem ele o saiba. E, místico que seja, certamente que não é nenhum iluminado, porque se ocupa de repetir o que os sábios de todas as eras disseram. Importa a difusão que ele faz desses ensinamentos.
Se os livros de PC são instrumentos de auto-ajuda, que mal há nisso? Há muitas obras de tantos autores que são instrumentos de auto-destruição. Se a auto-ajuda não existisse o mundo desmoronaria, pois o simples ato de andar é auto-ajuda, porque o preguiçoso poderia deitar-se e esperar que o carregassem. Quanto às multidões que lêem Paulo Coelho, elas não devem ser medíocres, mas Janilto insinua que sim, e o faz de maneira irônica e deselegante.
Se o professor houvesse lido os sábios mestres da antiguidade e o que têm se manifestado nos últimos dois milênios, não precisaria bater pesado no pobre PC. Poderia atacar Sócrates, Krishnamurti, Aristóteles, Confúcio, Francisco de Assis, Ghandi, Yogananda, Exupéry e mestres ascensos que habitam as elevadas esferas como Buda, Jesus, Miguel, Germain, o mesmo Assis.
Os milhões e milhões que lêem Paulo Coelho não iriam escarafunchar em obras clássicas daqueles mestres e em escritos sobre seus ensinamentos. PC não é um luminar, se for comparado aos literatos consagrados do Brasil. Sua obra tem outra função. Metade do que está nas estantes de bibliotecas e livrarias, nas cinematecas e viodetecas (aí incluídos games e HQs) tem muito de trash. Se as pessoas apreciam PC, é porque buscam reavivar a memória remota da própria espiritualidade, que não é necessariamente irmã da intelectualidade. Milhões e milhões que lêem PC se aliviam, e isto deve ser bom. Se as palavras de PC não são todas dele, ele as colhe de sábias fontes.
O homem não se melhora pela sua cultura e sim pela elevação espiritual, que não quer dizer necessariamente crença religiosa. São ainda os brutos e os cultos que fazem as guerras, não os iluminados. PC não faz mal algum. O mundo precisa de palavras de conforto e de auto-confiança, que levem à reflexão e à elevação da consciência. PC é apenas um obreiro na difusão dessas palavras. Se ele ganha rios de dinheiro, isto não invalida a obra e a missão.
WALMOR MACARINI é jornalista em Londrina


