ESPAÇO ABERTO - Ignorando a verdade encoberta
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 25 de agosto de 2004
Walmor Macarini 
O homem ignorante geralmente é mais feliz. Por ignorante queremos dizer o que ignora, o que não sabe, o que não busca saber. Os gregos davam o nome de pecado ao desconhecimento do homem acerca das verdades eternas. Pecado queria dizer encobrimento. Ou seja, a verdade encoberta, não conhecida da grande maioria. Estar em pecado era estar em estado do não saber. E outrora como agora, se ignorância é não conhecer, mais ignorante ainda é o que não deseja saber e rejeita os caminhos das respostas, mesmo que tenha indicativo deles.
O espírito do homem, ao ingressar na tridimensionalidade carnal, também ingressou no pecado o pecado original do desconhecimento das coisas e de sua origem antecedente como ser cósmico. Essa condição foi de sua prévia e livre vontade e por concessão divina, para que ele descobrisse pelo próprio esforço e arbítrio e desempenhasse a missão terrena que se propôs, como forma de aprendizado e evolução.
Esse homem ignorante, porém, veio dotado de portais de sabedoria, pelos quais alcançar o entendimento. Mas ele não desejou chegar a esses portais, embora tivesse a intuição remota da existência deles. Porque sempre intuiu acerca de vivências anteriores a esta e de uma sobrevida após a morte física, algo que ele ainda agora não consegue entender bem, mas pressente, pela sua voz interior que lhe fala; pela voz de Deus, o Deus que reside nele.
Manter-se no estado de ignorância é confortável, porque tal não obriga a pensar e a questionar, não cria obrigações que o conhecimento desperta e impõe. Conhecer traz responsabilidades. De qualquer modo, cedo ou tarde cada qual terá de passar pelo processo. Então, quanto mais cedo, melhor, para que não haja retardos pelo caminho e a permanência em estado de hibernação ou o retrocesso para zonas mais inferiores.
Se a oportunidade da vida terrena é uma vontade individual, é também uma concessão divina, mas com prazo de validade. E isto não é castigo, mas apenas a lei. Quando se diz a ''vontade de Deus'' fala-se da lei que rege todas as coisas e que é sincrônica e perfeita, porém magnânima.
Ignorante é o que não busca conhecer a si próprio e saber o que é; o que não se detém para investigar; o que deixa que os outros pensem por ele e lhe ditem normas, para que as obedeça cegamente, aceitando tudo o que lhe dizem, sem dar ouvidos à própria voz interna que frequentemente o adverte. E este é o momento de lampejos de entendimento, mas ele os teme, imaginando que está sendo tentado por forças maléficas.
O homem rejeita inclusive a idéia de que é um ser divino, imaginando que acreditar nisso é uma ofensa a Deus. Prefere qualificar-se de insignificante e cheio de culpas, sujeito a cair nas ''profundezas do inferno''. Tem receio de não proceder exatamente como as vozes exteriores lhe determinam fazer.
Mesmo entre destacados conhecedores das ciências terrenas encontra-se a ignorância latente e a submissão acerca da ciência transcendente, que é a regedora de todas as coisas. Entregam, assim, aos cuidados de outros a coisa mais importante de sua existência, que é o conhecimento e a razão da vida no aqui e no depois.
WALMOR MACARINI é jornalista em Londrina


