A hipocondria é um distúrbio psiquiátrico caracterizado pela hipervalorização de sintomas absolutamente normais, fazendo o indivíduo acreditar que é portador de uma doença grave, muitas vezes "ainda não diagnosticada". Geralmente, os pacientes têm um medo irracional da morte, observam qualquer mudança e alterações no próprio corpo e devido isso vivem na iminência de estarem doentes. A doença está associada ao Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC), à depressão ou à ansiedade.
A obsessão é uma alteração no pensamento que cria impulsos, imagens, cenas e dúvidas que invadem a consciência. São ideias impulsivas experimentadas como intrusivas e inapropriadas, que se manifestam de forma quase involuntária, repetitiva, persistente e, normalmente, absurdas. Estes seriam os pensamentos que o hipocondríaco sustenta sua convicção de que está enfermo. A pessoa, na tentativa de evitá-las ou ignorá-las, passa a ter comportamentos ritualísticos afim de neutralizar a ansiedade causada por essas ideias, que dão origem a compulsão. Atos repetitivos, como no caso de verificar se fechou a porta da casa quatro vezes, ou atos mentais, como rezar, contar e repetir frases são típicos de uma pessoa compulsiva, são comportamentos que atenuam a angústia da obsessão. Muito comum o hipocondríaco se automedicar e buscar remédios para curar a suposta doença. Em alguns casos, estocam medicamentos em casa para se sentirem mais seguros e algumas pessoas ficam pesquisando remédios novos para sua doença. A pessoa possui o discernimento de que esses pensamentos são reais, reconhecem os excessos e exageros, mas mesmo o juízo crítico não é suficiente para acabar com as atitudes compulsivas.
As causas do distúrbio não são bem definidas, mas estudos indicam que aqueles que sofrem de hipocondrismo valorizam excessivamente o corpo e a saúde ou que tem dificuldade em lidar com mudanças e limitações. São pessoas que apresentam uma ansiedade muito intensa e medos recorrentes, apresentam, também, uma maneira mais negativa de encarar a vida e são pessimistas. Ler bulas de remédio geram muito medo e angústia. Além disso, a hipocondria afeta pessoas carentes, com baixa autoestima e que sentem necessidade de atrair atenção. O hipocondríaco é inquieto e agitado, lhe agrada que outras pessoas confirmem seu suposto estado de doença, não gosta de ser contrariado e afasta-se de quem não acredita em sua fantasia.
Os sintomas mais temidos por quem sofre da doença são dor no peito, o que poderia levar a um processo de infarto; sede crônica, muitas vezes associada à diabete; perdas ocasionais de memória e vir a sofrer do mal de Alzheimer; dificuldade de respirar, relacionada pelo hipocondríaco a doenças cardiovasculares; dores crônicas de cabeça; e tosses constantes, que são associadas à presença de tumores, meningite, tuberculose ou câncer.
Os casos mais comuns de hipocondria são pessoas que acreditam ter uma doença que ainda não foi diagnosticada. Os casos mais agravantes seria a pessoa não conseguir ter vida social, faltar no trabalho e se afastar da família e amigos, evitando situações de contaminações. O estado emocional é bastante enfraquecido e a sensação de medo de que alguma coisa ruim vai acontecer é intensa e sufocante. É normal desencadear quadros de pânico e o uso desenfreado de medicamentos também é uma preocupação.
O tratamento aconselhado é a psicoterapia, realizando, num primeiro momento, a conscientização e a aceitação de que precisa de ajuda e, num segundo momento, buscar as raízes da hipocondria, que são situações de vida mal resolvidas do indivíduo. A hipnose clínica pode auxiliar nesse processo de elucidação dos conflitos e revelar detalhes importantes para se compreender a história da pessoa. O objetivo não é atingir a cura, mas o controle do medo e, principalmente, dar condições para a pessoa não fantasiar situações de doenças diante dos problemas que podem surgir na vida pessoal.

BRENO ROSOSTOLATO é psicólogo e professor da Faculdade Santa Marcelina em São Paulo

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