Já escrevi sobre isto mas volto ao tema, porque alguém menciona o escrito e por isso sinto propensão a reeditá-lo. Refiro-me à necessidade de cuidarmos, diariamente, não apenas da nossa higiene corporal mas sobretudo da higiene mental.
Costumamos dedicar atenção especial, todos os dias, à roupa que vestimos, à combinação de tons, aos sapatos, à pele, aos cabelos, ao nosso visual geral. Cada qual cuida de arranjar-se de acordo com a ocasião e a circunstância e com a tarefa daquele momento. Zela pela casa, pelo automóvel, pelos seus bens. Um ritual que acontece quase automaticamente.
Mas a grande maioria esquece de outro detalhe muito importante, que seria tão benéfico para o dia-a-dia: o de fazer uma purificação diária dos pensamentos e sentimentos.
Não cuspimos no chão, porque isto não é de bom tom, mas nem sempre temos o mesmo zelo com palavras que lançamos boca afora e que muitas vezes contêm tanta impureza. Dizemos coisas e nos esquecemos de escutá-las, para saber como soam e assim distinguir o que é edificante e o que é destrutivo.
Tomamos cuidado com nossos passos e com o veículo que dirigimos, mas não vigiamos nossos sentimentos e pensamentos, às vezes carregados de densidade negativa, de mau humor, de maledicência e de revolta contra todos e contra tudo.
Saímos de casa sem fazer essa higiene e andamos por aí espalhando fluidos impuros, que envolvem os que nos rodeiam, e assim também absorvemos os das pessoas com idênticas vibrações, porque as coisas semelhantes se atraem e se robustecem.
Bom seria fazer, já pela manhã, um agradecimento pelo repouso da noite, pelo dia que chega, pelo sol que nos saúda ou pela chuva que irriga as plantações e enche os mananciais; agradecer por aqueles que levantaram mais cedo para nos proporcionar o café e o pão ou para nos transportar ao trabalho.
Nos lembramos muito pouco de agradecer por quem cultiva o alimento que encontramos à mesa, e deveríamos saber como isso é árduo para quem o produz, sob a inclemência do sol ou das manhãs frias do inverno; ao contrário, até o desperdiçamos. As pessoas recebem a sua paga pelo que fazem, mas assim mesmo temos de ser gratos por elas existirem e produzirem aquilo de que precisamos.
De nossa vez, também saímos a campo, para fazer o mesmo, e quando alguém emana sentimentos de gratidão por isso, mesmo que anonimamente, acabamos captando essa vibração, em forma de inexplicáveis momentos de bem-estar.
Devemos dar graças pela beleza ao nosso redor e pela beleza que temos dentro de nós próprios, embora muitas vezes a deixemos adormecida e impedindo que se manifeste, o que é um desperdício. Ao libertar nossas virtudes - que temos em abundância, por natureza divina - purificamos a atmosfera e contribuímos para tornar melhores também as demais pessoas.
WALMOR MACARINI é jornalista em Londrina

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