ESPAÇO ABERTO - Guardadores de carros
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 09 de fevereiro de 2004
Alexandre Paiva 
Um fenômeno bem interessante que acontece em Londrina é a proliferação dos chamados ''guardadores de carros''.
Logo após o encerramento das atividades da Zona Azul, salvo engano 18 horas, basta um motorista descer de seu carro, nas áreas centrais, que já vem a frase: ''Posso cuidar?''! Mas não fica por aí: jogos de futebol, eventos no Moringão, bares, restaurantes, cultos religiosos, feiras-livres, bailes, enfim, na grande maioria dos locais para onde o londrinense se dirija com seu automóvel será literalmente obrigado a pagar para deixá-lo estacionado em uma via pública.
Em alguns destes locais públicos, esta ''atividade'' está praticamente institucionalizada. Existe escala de trabalho para os horários de pico, pessoas devidamente uniformizadas - coletes - um responsável para a distribuição dos ''postos de trabalho'' e uma pessoa que tem a tarefa de cobrar os clientes. Falando em cobrança de clientes, é aí onde ficam alguns sérios problemas. A cobrança, geralmente, é adiantada e caso o pagamento não ocorra você tem a chance de ter seu veículo danificado ou até mesmo sofrer agressões. Já vi casos onde um motorista foi ameaçado e depois seu veículo foi alvo de chutes. Uma outra situação foi a de uma senhora que teve seu pai internado em estado de emergência, deixou seu carro em frente ao Hospital Evangélico e teve dois pneus do carro furados por não ter feito o pagamento de forma adiantada.
Uma solução possível para este problema seria a regulamentação desta atividade nos mesmos moldes da eficiente Zona Azul. Não sei se existe alguma disposição em contrário, mas caso não exista, poder-se-ia determinar alguns pontos da cidade como a Av. Higienópolis, imediações do Moringão, Catedral, Rua Prof. João Cândido, entre outros, onde se colocaria um valor justo e proporcional ao tempo de permanência do veículo.
O controle desta atividade passaria a alguma entidade, como por exemplo a Epesmel, que poderia até contratar muitos destes desempregados que de forma irregular já executam este trabalho. Caberia, ainda, à Polícia Militar a aos Agentes de Trânsito coibir as práticas irregulares. Os benefícios viriam em cadeia: aumentaria a segurança dos motoristas em deixar seus carros nas vias públicas, aumentaria o número de empregos formais, maior contribuição para a Previdência.
Estou certo de que muitos londrinenses não se importariam de pagar para deixar seus automóveis em locais públicos, desde que fosse um serviço legal, assim como é feito pela Zona Azul, e sem a intimidação que muitos ''guardadores'' instauram na cidade.
Fica aqui o descontentamento e a sugestão deste munícipe que certamente não é uma voz isolada. Espero francamente que vários outros cidadãos se manifestem e que, a partir daí, o competente Poder Executivo, além do Legislativo, tomem alguma providência.
ALEXANDRE PAIVA é advogado em Londrina


