O clamor das ruas pedindo mais investimentos em saúde tem coerência e fundamento. Segundo especialistas da área, seria necessário o aporte de mais de R$ 80 bilhões nesse setor, somados aos R$ 72 bilhões que o governo federal investe anualmente, para a manutenção e expansão dos serviços de saúde em favor da população, posto como um dos grandes desafios do Sistema Único de Saúde (SUS).
No entanto, ainda que os investimentos em saúde sejam imprescindíveis, existem outras medidas tão importantes e necessárias quanto estas. Nesse sentido, seria fundamental para o SUS a consolidação de três pilares: a gestão eficiente dos recursos, a humanização no atendimento e a resolubilidade do sistema.
Se por um lado faltam recursos, por outro é preciso avaliar o grau de eficiência com que tais recursos são aplicados. Daí a importância da formulação de novos modelos gerenciais capazes de deslocar a hegemonia do "modelo da oferta de serviços" para o "modelo das necessidades e direitos da população". Um dos primeiros passos seria extirpar a corrupção que sangra do erário público recursos financeiros que poderiam ser aplicados na saúde.
Complementarmente, a adoção de outras ações poderia agregar valores ao sistema de saúde: 1- Melhorar o descritivo dos materiais e dos editais de licitação, possibilitando ao Estado adquirir produtos de qualidade pela melhor oferta; 2- Desenvolver sistemas de controle de materiais parametrizados que supram as unidades de saúde, com base na produção de cada uma; 3- Maior resolubilidade das unidades básicas de saúde, desafogando os hospitais que vivem com os prontos-socorros superlotados; 4- Humanizar o atendimento aos pacientes com o foco na pessoa e não somente na doença, melhoria das condições de trabalho e redução do tempo de espera; 5- Implantar o sistema de acolhimento e classificação de risco dos pacientes em toda rede, priorizando os atendimentos mais urgentes; 6- Implantar programas permanentes, periódicos e regionalizados para a qualificação de recursos humanos, buscando a valorização dos profissionais e o aumento na eficiência dos serviços; 7- Rever os critérios de seleção de pessoal que contemplem a avaliação de conhecimento, teste prático e prova de títulos, com ênfase na qualificação; 8- Contratar médicos remunerados por produção, aliado a um piso mínimo salarial, em substituição ao regime de carga horária ou plantões, como justa remuneração aos profissionais que mais produzem, aliado à qualidade dos serviços; 9- Repor automaticamente as vagas em aberto em decorrência de falecimentos, exonerações, transferências e aposentadorias, pois já estão contempladas no orçamento do Estado; 10- Implantar sistema integrado para a gestão dos atendimentos dos pacientes em toda a rede de saúde, evitando-se a duplicidade de exames de radioimagem e laboratoriais; 11- Implantar sistema unificado e centralizado para a gestão de leitos das unidades hospitalares, otimizando a capacidade de internação instalada na rede; 12- Consolidar o sistema de referência e contrarreferência na área da saúde, buscando a eficiência dos recursos instalados e maior resolubilidade dos agravos de saúde; 13- Alocar recursos físicos, financeiros, humanos e materiais na rede pública de saúde de acordo com o perfil e capacidade de produção de cada unidade; 14- Implantar sistemas alternativos complementares à assistência hospitalar tradicional, como por exemplo, o serviço de hospital dia.
Obviamente não existem soluções mágicas para os inúmeros desafios de um sistema tão gigantesco, importante e complexo como o da saúde, mas com certeza é possível a adoção de ações complementares que, somadas, possam colaborar para uma gestão mais eficiente desse sistema.

CARLOS JOSÉ ESTEVAM LIOTI é administrador e mestre em Gestão de Serviços de Saúde pela Universidade Estadual de Londrina

■ Os ar­ti­gos de­vem con­ter da­dos do au­tor e ter no má­xi­mo 3.800 ca­rac­te­res (55 li­nhas) e no mí­ni­mo 1.600 ca­rac­te­res (25 li­nhas). Os ar­ti­gos pu­bli­ca­dos não re­fle­tem ne­ces­sa­ria­men­te a opi­nião do jor­nal. E-­mail: opi­niao@fo­lha­de­lon­dri­na.com.br

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