ESPAÇO ABERTO - Gasolina cara nos EUA e refinarias no Brasil
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 03 de junho de 2004
Léo de Almeida Neves 
O governo George Bush permitiu onda de fusão de refinarias nos EUA e a capacidade instalada do seu parque de refino está no limite das exigências do consumo, em face da demanda elastecida pela entrada do verão norte-americano, resultando acréscimo de 50% no preço da gasolina, percentual acima do incidente nas cotações do óleo bruto.
Esse quadro de escassez, ensejaria a oportunidade da Petrobras auferir gordos lucros com a exportação de gasolina para os Estados Unidos, porém a Petrobras teima em não erguer novas refinarias no Brasil para garantir nossa auto-suficiência em derivados e ao mesmo tempo exportar excedentes com valor agregado. É sabido que em função do uso de álcool sobra gasolina para exportação.
A propósito, o Conselho Nacional do Petróleo encomendou estudo em 2002 à consultoria norte-americana Booz-Allen, que concluiu pela necessidade de mais 3 refinarias no Brasil. Pasmem os leitores com a declaração do presidente da Petrobras, sr. José Eduardo Dutra, em Nova York (jornais de 21.05.04): ''A Petrobras estuda comprar ou construir refinaria nos Estados Unidos''.
Justifica-se economicamente a Arábia Saudita, Venezuela e outros grandes exportadores de petróleo aos Estados Unidos disporem de refinarias próprias na América do Norte, mas não tem lógica alguma o Brasil ajudar a resolver problemas da rica nação do Norte, sob o pretexto de refinar nosso óleo pesado para adicionar-lhe valor.
Tomara que a aliança estratégica formada na China entre Petrobras e a estatal chinesa Sinopec, na presença do presidente Lula, mude este equivocado enfoque e quem sabe a Petrobras volte ao senso comum e levante, em parceria com a estatal chinesa, refinaria no norte fluminense e outra no Ceará ou Pernambuco, cada uma com nível de produção de 200 mil barris diários.
LÉO DE ALMEIDA NEVES é ex-deputado federal pelo Paraná e ex-diretor do Banco do Brasil


