ESPAÇO ABERTO - Gagueira tem cura, basta ter atitude
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 20 de outubro de 2008
Clarissa Reinert Cim e Tânia T. Tozi Coelho 
No próximo dia 22 de outubro comemora-se o Dia Internacional de Atenção à Gagueira. Ao longo dos próximos dias, várias campanhas estarão acontecendo em todo o País, visando orientar e esclarecer a população.
De acordo com a Associação Brasileira de Gagueira, o problema atinge 1% da humanidade. No mundo, são 60 milhões e no Brasil, 1 milhão e 600 mil pessoas gagas.
As causas da gagueira, segundo pesquisadores, são multifatoriais, uma vez que aspectos genéticos e de processamento cerebral apresentam tanta influência quanto os a,spectos psicossociais no desenvolvimento desta patologia.
Na idade escolar os erros na fala ainda são bastante comuns e até certo ponto aceitáveis dentro do processo de aquisição e desenvolvimento da linguagem. Nesta fase de desenvolvimento é que verificamos os primeiros sinais da gagueira e as principais manifestações das crianças são: Hesitações, repetições de sons e sílabas (a-a-alô); prolongamento dos sons (bbbom dia); bloqueios (quando o som fica travado), principalmente quando acompanhados de esforço, movimentação facial ou corporal.
No ambiente escolar o professor é sem dúvida um elemento fundamental para detectar a gagueira e também contribuir para o sucesso do tratamento. Além de orientar a família a procurar profissional especializado, ele irá prestar suporte à criança nas atividades escolares e na sua integração social.
É comum as crianças apresentarem estes comportamentos típicos da gagueira por apenas alguns meses e depois voltarem ao normal sem nenhuma intervenção. Porém, se dentro de seis meses não houver melhora, pode ser um indicativo de que realmente seja um caso de gagueira, exigindo desta forma uma avaliação fonoaudiológica.
Algumas atitudes dos pais e professores podem ajudar a criança com gagueira, por exemplo:
Utilizar frases curtas e palavras simples, demonstrando atenção e escutando com paciência e tranqüilidade o que ela tem para falar, demonstrando confiança e olhando-a nos olhos, fazendo com que ela perceba que você sabe da dificuldade dela para falar, demonstrando receptividade e carinho.
O que não deve ser feito: Falar para a criança parar de gaguejar, pensar antes de falar, respirar, ter calma, começar a frase de novo, responder pela criança ou completar suas frases, demonstrar impaciência ou irritação com a forma da criança falar e jamais chamá-la de gaga. De acordo com alguns autores, todas estas situações podem ser tão prejudiciais como fingir que a gagueira não existe.
O profissional indicado para o tratamento da gagueira é o fonoaudiólogo. Em alguns casos é necessário que a fonoterapia seja realizada em conjunto com o atendimento psicológico, uma vez que fatores emocionais, como medo e insegurança, podem estar envolvidos.
É importante salientar que a gagueira tem cura e que esta cura é tão mais fácil quanto mais precoce for o diagnóstico e o início do tratamento.
Clarissa Reinert Cim e Tânia T. Tozi Coelho, acadêmica e professora do Curso de Fonoaudilogia da Univali/SC.


