A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) está sendo alvo de inúmeras denúncias de corrupção e falcatruas. Muito dinheiro entra e sai das contas bancárias gerenciadas pelos seus representantes. Patrocínios milionários e uma receita magnífica, com a condição de prestarem um serviço de extrema relevância para a população brasileira.
  A população não tem acesso aos ativos da CBF nem tampouco conhece a destinação das verbas arrecadadas e as suas respectivas fontes, apenas que são milhões de reais. Os objetivos da referida entidade não deveriam estar centrados nos lucros, mas sim no impulso do esporte que é paixão nacional, o futebol, e que também é instrumento importante no resgate social de crianças e adolescentes. Exemplo de importância do futebol é o contágio do esporte em época de Copa do Mundo, ocasião em que até o nosso patriotismo efervesce e emociona.
  As cifras são exorbitantes, as constatações estão no mercado futebolístico - mafioso e cruel - onde interesses e vaidades são propulsores dos projetos e investimentos. Hoje os times são empresas. Têm que dar lucro. Outra vez os interesses tomam a frente e determinam as negociatas. As ações de marketing e de mercado, aliadas à grande estrutura que se movimenta em torno das partidas de futebol e grandes espetáculos privados não combinam com a intervenção de serviços públicos para o acontecimento efetivo desses eventos, onde os envolvidos, com exceções, buscam se locupletar e tirar a sua vantagem. É o serviço público a serviço de uma empresa, o time de futebol.
  É claro que existem partidas que são para o divertimento, com organização coerente e voltada para a socialização e integração, características importantes do esporte, as quais carecem do apoio e incentivo estatal.
  O sorteio das eliminatórias da Copa do Mundo de 2014, realizado no dia 30 de julho, custou R$ 30 milhões. Na África do Sul o mesmo evento custou R$ 2 milhões. Seria uma mera constatação se os R$ 30 milhões não fossem dinheiro público da Prefeitura do Rio de Janeiro e outra parte pelo governo daquele Estado. Os poderosos do futebol se perpetuam no controle e manipulação dos recursos, no direcionamento das transmissões televisivas e de tudo que cerca e movimenta esse mercado lucrativo e envolvente: jogos de futebol. Na solenidade referida estavam sentados lado a lado os presidentes da CBF e Fifa, o governador do Rio de Janeiro e o prefeito do Rio e na mesma fileira a presidente do Brasil. Bem prestigiado o evento?!
  Marcas esportivas injetam valores altíssimos para patrocinar e obter exclusividade, assim como instituições financeiras, indústrias alimentícias e eletrônicas. Alguns empresários, poucos e escolhidos por motivos que não se sabe quais, estão lucrando muito com a Copa e lucrarão com as Olimpíadas. Os fatos se dão em épocas diferentes, mas as circunstâncias e conchavos são semelhantes. Seja no Congresso, nos palácios de governo, prefeituras, assembleias legislativas, câmaras municipais, CBF ou Fifa, o dinheiro entra e não sabemos para onde vai. O retorno do dinheiro gasto é insignificante, medíocre e os projetos legalizam as imoralidades perpetradas ao longo dos tempos. Apesar de tudo, há exceções.
  A população brasileira acompanha tudo e o que faz? As eleições da CBF são pautadas na democracia que lhes é conveniente, onde os interesses fazem com que os indivíduos que votam hesitem em mudar o status atual. Muitos levam vantagem com o que acontece hoje e já há muito tempo. As grandes jogadas do futebol, infelizmente, são copiadas quando o dinheiro público está envolvido: eles escondem a grana embaixo dos pés e marcam um golaço em proveito própriio e de seu bando de amigos.

MARCOS ANTONIO TORDORO é comandante da 1ª Companhia de Polícia Militar de Rolândia

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