Uma das maiores preocupações dos pais é pensar no que o filho ''vai ser'' quando crescer e, a preocupação da escola não poderia ser e nem é diferente. Desde, ou até antes, da alfabetização, tudo o que está sendo ensinado, tem como objetivo, a aplicação prática num futuro próximo ou distante. Aí que começa o problema.
Todos sabemos que a maioria esmagadora da população escolar, atualmente, é constituída de crianças e jovens carentes, em toda a extensão da palavra. Carência alimentar: come-se mal. Carência afetiva: a falta de tempo e o excesso de trabalho levam os pais quando vivem juntos ao afastamento dos filhos e vice-versa; a falta de cultura, cultura do amor à família, do tempo à criação dos filhos, dos minutos íntimos, do contar uma estorinha, brincar de boneca ou de bola, de ir pescar, de um simples passeio no domingo à tarde, de dizer ''eu te amo''.
Falta de religião, não da religião protocolar, mas do compartilhar e agradecer a Deus, juntos, a família toda, em ato de reverência e fé. A falta de exemplos, bons exemplos, que ainda são a mais eficaz de todas as pedagogias. Carência de faróis indicadores e sinalizadores dos caminhos a serem percorridos, exatamente, por não haver quem os direcionem e impulsionem, nem sequer, quem os estimule, por ignorância ou por omissão.
Como foi dito no início, a preocupação primeira, é da família. Mas, como ela
por não estar preparada, transfere a tarefa de educar para a escola, que por
sua vez passa a ser, na maioria dos casos, o único ponto de boa referência
da vida dessas crianças e desses jovens. Por outro lado: escola é escola,
família é família. A escola tem a obrigação de ensinar as ciências; a família, as virtudes. A escola pode encarregar-se de ensinar etiqueta, boas maneiras, ler, escrever, cidadania, direitos, deveres, etc., mas quem ministra educação é a família.
Estamos vivendo um tempo de inversão de valores. Já ouvi mãe dizer, depois de uma reclamação quanto à má conduta do filho, ''que aquilo era problema da escola, dos professores, que ela não podia fazer nada e não tinha nada com isso'', esquecendo-se que a escola dura alguns anos, a família, a eternidade.
Esses são os dois caminhos da formação do ser completo e útil, a si mesmo e à sociedade como um todo. Caminhos que levam ao sucesso inclusive o financeiro, porém, não exclusivamente , mas principalmente à paz.
Busquemos juntos, família e escola, pais e mestres, sempre com a luz de Deus à frente, o caminho da boa instrução, sem querer sobrecarregar-nos mutuamente, mas, cada um fazendo a sua parte. Aí sim, poderemos, com firmeza, vislumbrar um futuro brilhante para nossos filhos e alunos.
DAVRISON DE ABREU ANSELMO é professor em Ibaiti

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