ESPAÇO ABERTO - Experiência e poder
PUBLICAÇÃO
domingo, 05 de dezembro de 2004
Moacir Costa 
Depois que a mulher chega propriamente à menopausa, ela terá pelo menos uns vinte anos (na pior das hipóteses) para curtir a vida. Hoje, a expectativa de vida das mulheres é de 75 anos. É claro que o corpo não tem a silhueta de uma mulher de 40 ou 45, e muito menos de 30. Mas essa é que a graça da história. É preciso se descobrir nesse corpo, mais flácido, com mais rugas, menos tônus e também ser feliz. Se ela está casada, e com um companheiro da mesma faixa etária, estará observando que ele também passa por mudanças sensíveis.
Os homens têm a ''andropausa'', um período de mudanças importantes, mais existencial que física, embora os sintomas ocorridos não sejam nem um quinto do que ocorre com as mulheres. Como os dois sexos são muito diferentes para lidar com a emoção, pode-se dizer que ele passa por essa fase de maneira superficial. O homem está mais habituado a desenvolver mecanismos de defesa para o sofrimento. A depressão, por exemplo, quase nunca é assumida por ele. Às vezes é preciso que alguém da família leve-o para um médico ou terapeuta, tamanha é a sua angústia e dor. Mas, ele próprio, não procura ajuda. Esse hábito de não se cuidar tem fragilizado o homem, tornando-o também mais vulnerável a doenças. É por isso que a parcela masculina da população morre em geral mais cedo do que a ala feminina: são entre sete e oito anos a menos de vida.
O que ele quer mesmo é continuar a jogar o seu futebolzinho, sair com os amigos, talvez beber um pouco mais... No campo sexual, o Viagra acaba sendo um recurso muito usado - e com sucesso - pelos sessentões e setentões. Alguns, nesse período de novidades, deixam o ninho, em busca de mulheres mais jovens. Outros mantêm uma aventura fora de casa, já que a vida sexual foi renovada. Mas são poucos os que se separam nessa fase. A maior parte de separações acontece entre os 30 e 45 anos, período em que os cônjuges estão em franco desenvolvimento pessoal e profissional. Quando a mulher chega a esse período com boa cabeça, ela realmente curte e tem orgulho de sua história de vida e acaba virando um modelo de sabedoria e experiência para outras mulheres e também para os homens. Não é raro, portanto, que existam hoje tantos casais formados por mulheres maduras, acima dos 50 anos, e homens na faixa dos 35, às vezes até menos.
Há um fascínio nessas mulheres fortes, resolvidas e bem-sucedidas. Segundo a professora de yoga Márcia De Luca, autora de A idade do poder (Ed. Tornado), a menopausa não deve jamais ser vista como perda, mas sim como marco evolutivo. As tradições antigas, como as de povos indígenas e culturas orientais, sempre respeitaram a experiência e o poder das mais velhas'', diz Márcia. A escritora, que vê a meia-idade como uma oportunidade de renascimento, considera o momento perfeito para ''desatar os nós da vida, jogar fora o que já não serve, livrar-se de papéis, máscaras e ser, finalmente, autêntica''.
É importante salientar que é crescente o número de mulheres nessa fase da vida que relatam uma sexualidade gratificante. Estão tentando se descobrir e resgatar a mulher que viveu escondida por muitos anos. Antes tarde do que nunca!
MOACIR COSTA é médico psicoterapeuta em São Paulo


