No momento que o País caminha no sentido da saúde preventiva, preconizada pelos organismos mundiais especializados como mais eficaz e barata do que curativa, os enfermeiros orgulham-se de figurar nessa frente em posição de destaque, entre as 14 carreiras que atuam no setor. E não só por isso. A enfermagem ocupa, por exemplo, o quinto lugar no ranking da força de trabalho internacional nessa área, atrás apenas do Japão, China, Estados Unidos e Reino Unido. São 800 mil profissionais registrados no seu Conselho Federal.
A supremacia numérica da enfermagem, em relação às outras 13 carreiras com atuação na área, é alguma coisa de surpreendente. A participação de seus profissionais chega a 55% da mão-de-obra empregada no setor. Ou seja, de cada dez profissionais, cinco e meio atuam nessa função.
Outro dado relevante refere-se ao número de profissionais formados, superior ao de todas as outras carreiras com presença no mesmo universo. São ao todo, no País, 1.888 escolas. Multiplicado este número pela média de 50 pessoas por turma, temos alguma coisa além de 94 mil profissionais ingressando a cada ano no mercado de trabalho. Um cotejo desse desempenho com o daquelas outras carreiras já referidas, cujos diplomados não chegam a 20 mil/ano, põe à mostra outro dado revelador: o crescimento do número de enfermeiros é 400% maior. Com o detalhe significativo de existirem cursos de pós-graduacão, criados por iniciativa do Conselho Federal de Enfermagem (Cofen), em quatro especialidades.
Mais: trata-se de uma das poucas profissões em que não há desempregados. Na verdade, sobram oportunidades. Tanto que, dos 800 mil inscritos no Conselho Federal, 75% têm duplo ou triplo emprego. Situação advinda em parte de uma remuneração em geral não muito atraente, mas ainda assim animadora, se levado em conta o aspecto relevante da disponibilidade de trabalho e de sua valorização à medida que a ocupação dos espaços faça intensificar a busca por mão-de-obra. Por tudo isso, o profissional de enfermagem seguirá sendo aquela figura insubstituível nos ambientes onde exerce com singular devotamento sua missão.
Quanto à formação, apenas um adendo: não será pelo momento favorável do mercado ou pelo desejo de atrair a juventude para uma profissão que tem a incomparável Ana Néri como nosso símbolo e paradigma que devemos fazer vista grossa a certas aberrações. A excessiva liberalidade de certas instituições de ensino, em relação à enfermagem ou a outras carreiras, terá sempre do nosso Conselho a mais veemente censura e a mais vigorosa condenação. Lançar no mercado profissionais mal preparados é uma agressão ao bom senso e uma afronta à sociedade. E enfermagem enquanto categoria organizada deseja continuar sendo, antes de tudo, um exemplo de postura ética, de capacidade profissional e de empenho legítimo para ocupar o espaço que lhe pertence na saúde pública.
GILBERTO LINHARES é presidente do Conselho Federal de Enfermagem

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